Crans-Montana — Em depoimento à polícia de Sion, o vigilante Predrag Jankovic afirmou que as instruções recebidas para a noite de Ano‑Novo no bar Constellation eram claras: as duas portas de segurança deveriam permanecer fechadas e o acesso deveria ser permitido apenas pela porta principal. A afirmação integra o inquérito sobre o incêndio que matou 41 pessoas e feriu 115 na madrugada de 1º de janeiro.
O depoimento de Jankovic, um dos dois seguranças em serviço no local na noite da tragédia, foi colhido no âmbito das investigações em curso. Seu colega de trabalho — o segundo vigilante escalado para a noite — encontra‑se entre as vítimas do incêndio. Segundo o relato do próprio Jankovic, as orientações para limitar entradas e saídas às vias principais eram parte da gestão da casa naquela noite.
Do ponto de vista da apuração, essa informação é relevante para o exame das rotas de fuga e da atuação dos profissionais de segurança durante o surto do fogo. A polícia de Sion trabalha com o cruzamento de depoimentos, registros de imagem e a perícia técnica sobre o local para reconstruir cronologia e responsabilidades.
Paralelamente, o chefe dos bombeiros de Crans‑Montana, David Vocat, também foi ouvido pelas autoridades. Vocat declarou à emissora suíça RTS que vive um “incubo” desde a ocorrência e justificou seu silêncio anterior sobre determinados elementos detectados em inspeções anteriores: ele participou de uma vistoria no estabelecimento em 2018, mas disse não ter identificado — ou considerado de sua competência — os painéis fonoabsorventes colados no teto do porão, hoje apontados como fatores que potencializaram o fogo.
Em seu depoimento, Vocat afirmou: “Quando fui inspecionar este prédio, tratava‑se de uma inspeção contra incêndio. Não tenho a responsabilidade de inspecionar os materiais; esse não é de forma alguma o meu trabalho. Se fosse responsabilidade minha, eu teria verificado e teria informado”. Ele acrescentou que, em sua formação, atualiza‑se sobre novas tecnologias perigosas para os socorristas — como veículos elétricos e painéis solares — mas que a identificação de materiais combustíveis internos não consta tipicamente de sua rotina técnica.
O conjunto de testemunhos e laudos técnicos será fundamental para determinar eventuais omissões administrativas, falta de cumprimento de normas ou instruções internas que possam ter contribuído para a rápida propagação do incêndio. A investigação busca esclarecer se a orientação de manter as portas fechadas e de concentrar entradas na porta principal limitou o fluxo de evacuação e se as características dos materiais do interior do bar agravaram a situação.
Na linha de frente da cobertura, a equipe realizou o cruzamento de fontes e verificou os registros oficiais disponíveis até o momento. A apuração in loco prossegue, com foco na reconstrução precisa dos fatos brutos e na identificação das responsabilidades técnicas e humanas que levaram à tragédia em Crans‑Montana.
Reportagem de Giulliano Martini — apuração in loco e cruzamento de fontes.






















