Por Stella Ferrari – Em Brasília e Roma, o decreto energia chega ao centro das decisões com medidas destinadas a reduzir a pressão sobre o valor das bollette para famílias e empresas. A proposta, esperada para votação em Conselho de Ministros, prevê um sistema de contributo voluntario para clientes domésticos e intervenções sobre componentes dos oneri di sistema que oneram o setor produtivo.
Segundo a versão preliminar do texto, o contributo voluntário seria destinado a consumidores domésticos que não sejam titulares do bonus sociale e apresentem ISEE anual até 25.000 euros. Para uma família tipo, essa medida poderia significar um risparmio anual entre 50 e 60 euros. Na prática, com esse desconto a bolletta elettrica projetada para 2026, em tarifa variabile, cairia para cerca de 768 euros — abaixo dos 805 euros registrados em 2025.
As estimativas de mercado, citadas por consultorias como Facile.it, indicam que até 4 milhões de famílias poderiam ser elegíveis para o contributo volontario. Paralelamente, está prevista uma misura aggiuntiva de 90 euros voltada aos beneficiários do bonus sociale, potencialmente alcançando até 5 milhões de famílias. Importa, contudo, ressaltar que o caráter voluntário do mecanismo implica que nem todos os venditori serão obrigados a aderir; portanto, o alcance real dependerá da adesão do mercado.
Do lado corporativo, o governo avalia reduzir a componente Asos entre os oneri di sistema. Hoje, essa parcela pode representar até 18% do custo energético de uma empresa. Simulações realizadas por Facile.it e Italfinance indicam que, se essa componente fosse anulada, uma indústria manufatureira com consumo médio de 195.000 kWh/ano poderia economizar cerca de 9.200 euros sobre uma bolletta total de aproximadamente 51.000 euros. É um exemplo claro de como a calibragem de políticas sobre encargos pode atuar como um afrouxamento dos freios fiscais que hoje reduzem a competitividade industrial.
Como estrategista de mercado, recomendo uma abordagem de dupla via: para famílias, aproveitar qualquer oportunidade de desconto para reavaliar contratos e comparar ofertas entre fornecedores; para empresas, antecipar cenários de redução de encargos e recalibrar orçamentos energéticos para traduzir economias pontuais em ganho de produtividade. Em termos macroeconômicos, medidas assim funcionam como um ajuste fino no motor da economia: pequenas reduções marginais podem gerar aceleração de consumo e alívio na margem de lucro corporativa, se bem direcionadas.
Uma advertência prática: dada a natureza voluntária do contributo, a adesão variará por venditore. Assim, a ação mais eficaz para o consumidor é não esperar passivamente; comparar tarifas e renegociar contratos pode resultar em ganhos adicionais além do desconto previsto pelo decreto. No âmbito empresarial, a eliminação ou redução do Asos seria equivalente a retirar um peso do eixo do custo energético, liberando recursos para investimento.
O decreto, se confirmado, oferece uma combinação de alívio imediato para famílias e um potencial impacto estrutural para empresas. Resta acompanhar a versão final do texto e a reação do mercado para transformar esses anúncios em vantagem real.






















