Por Alessandro Vittorio Romano — Observando a respiração da cidade e os ritmos que conectam saúde e ambiente, constato hoje uma notícia que pode transformar o cuidado de quem vive com asma severa. Cristiano Caruso, diretor da UOSD Allergologia e Immunologia Clinica da Fondazione Policlinico A. Gemelli IRCCS, em Roma, comenta à Adnkronos Salute os resultados decisivos dos estudos de fase III Swift, que levaram à aprovação na Europa de depemokimab, o primeiro e único biológico ultra long-acting com administração a cada seis meses para duas indicações.
Os ensaios Swift 1 e Swift 2 demonstraram uma redução estatisticamente significativa das riacutizações — tanto as graves quanto as moderadas — em pacientes com asma grave associada ou não a comorbidades. Foi igualmente observada uma diminuição nas hospitalizações e nos acessos aos serviços de emergência. Em suma, trata-se de um tratamento pensado para reduzir tanto a frequência dos episódios quanto o impacto social e assistencial sobre o paciente.
Caruso destaca que estamos diante de uma terapia pioneira para inflamações do tipo 2 com perfil eosinofílico: uma molécula desenhada para ter efeito de disease modifying, isto é, capaz de alterar o curso da doença ao longo do tempo, e com dupla indicação — no asma grave e na rinosinusite crônica com polipose nasal — condição que acompanha cerca de 60% dos doentes com asma grave, segundo dados da Severe Asthma Network Italy.
Na prática clínica, explica o especialista do Gemelli, ter um fármaco já concebido com dupla indicação significa oferecer um tratamento mais integrado para uma ampla população, indo além do simples controle sintomático e mirando a modulação duradoura da inflamação com características fenotípicas bem definidas. Esta abordagem é especialmente relevante quando pensamos que, na Europa, aproximadamente 3 milhões de pessoas convivem com formas graves de asma.
Outra inovação crucial é o perfil farmacocinético de depemokimab: propriedades bioquímicas que estendem sua meia-vida e permitem administrações semestrais. Essa cadência tem impacto direto na aderência terapêutica e, por consequência, na qualidade de vida, reduzindo a necessidade de visitas frequentes ao hospital e a carga cotidiana do tratamento — como se a terapêutica permitisse ao paciente recuperar parte do seu tempo, a colheita de hábitos que nutre o bem-estar.
O objetivo último, prossegue Caruso, é alcançar a remissão clínica e, quando possível, a remissão off-treatment. Tal ambição aproxima-se da imagem de um jardim que, quando bem cuidado, precisa cada vez menos de intervenções externas para florescer. Os estudos de extensão vinculados aos programas Swift apontam para uma manutenção do efeito ao longo do tempo, reforçando a ideia de que esta classe terapêutica pode modular a inflamação de forma sustentada.
Para pacientes complexos e com alto bisogno assistenziale, a chegada de depemokimab representa um passo notável: uma terapia que combina potência biológica, durabilidade e a possibilidade de um manejo clínico mais integrado. Como observador da vida cotidiana italiana, vejo nessa novidade não apenas um feito científico, mas uma oportunidade para redesenhar rotinas de cuidado e resgatar qualidade de vida — respirar a cidade com mais leveza.






















