Ramadã e Quaresma têm início conjunto em 18 de fevereiro de 2026, uma sobreposição incomum que marca o começo simultâneo de períodos de jejum e reflexão para muçulmanos e cristãos no mundo todo. A coincidência, confirmada por cruzamento de calendários e verificação de especialistas em calendário litúrgico e islâmico, não se repetia em mais de três décadas.
No calendário cristão, a data corresponde à Quarta-feira de Cinzas, que inaugura os quarenta dias da Quaresma — tempo de preparação para a Páscoa. Na tradição islâmica, o dia marca a observação do início do nono mês lunar, o Ramadã, cujo começo é tradicionalmente determinado pelo avistamento da lua crescente.
Segundo levantamento de especialistas consultados e cruzamento de fontes calendáricas, o Ramadã em 2026 está previsto de 18 de fevereiro a 19 de março, enquanto a Quaresma culmina na celebração da Páscoa em 5 de abril de 2026. Pesquisadores apontam que a razão dessa sobreposição é a diferença estrutural entre o calendário islâmico, inteiramente lunar, e o calendário gregoriano, solar — circunstância que, ocasionalmente, gera coincidências entre datas sagradas de tradições distintas.
Na prática religiosa, as observâncias apresentam pontos em comum e distinções claras. Para os cristãos, a Quarta-feira de Cinzas relembra os quarenta dias de jejum de Jesus no deserto e inaugura um período de oração, penitência e caridade em preparação para a Páscoa. Já no âmbito islâmico, o Ramadã recorda o mês em que, conforme a tradição, o profeta Maomé recebeu as revelações do Alcorão por meio do arcanjo Jibreel (Gabriel).
Durante o Ramadã, os muçulmanos observam o jejum diário desde o alvorecer (fajr) até o pôr do sol (maghrib). O dia começa, em geral, com o suhoor — a refeição pré-dawn — e termina no iftar, tradicionalmente iniciado com tâmaras e água antes de uma refeição completa. Além da abstenção de alimentos e bebidas, o mês é marcado por intensificação das orações, recitação do Alcorão e cultos noturnos denominados taraweeh, realizados após a oração de isha. A caridade assume papel central: o pagamento do zakat al-fitr ao término do mês e a prática voluntária da sadaqah visam amparar os menos favorecidos e possibilitar a celebração do Eid al-Fitr, festa que encerra o período.
Na tradição cristã, a Quaresma também enfatiza oração e esmola, assim como práticas de jejum ou abstinência que variam conforme as confissões. Em ambos os casos, o propósito declarado é a introspecção moral, a renovação espiritual e a solidariedade social — objetivos que, neste ano, terão expressão simultânea em comunidades distintas.
Do ponto de vista social e inter-religioso, a coincidência oferece oportunidade para diálogo e entendimento, sem alterar as particularidades doutrinárias de cada fé. Jornalisticamente, o evento foi verificado por meio de apuração de calendários litúrgicos e islâmicos, consulta a autoridades religiosas e comparação com registros históricos, garantindo a precisão dos fatos aqui relatados.
Em termos práticos, comunidades e autoridades locais poderão ajustar horários de atendimentos, serviços e celebrações para acomodar as necessidades de fiéis que observam o jejum e os ritos de cada tradição. A sobreposição também retoma um velho lembrete sobre o impacto cotidiano das estruturas calendáricas nas práticas religiosas e na vida pública.




















