Como um observador atento das estações do corpo, lembro que muitas vezes os primeiros sinais de uma enfermidade chegam como um sopro: discreto, mas revelador. Em Bologna, durante uma noite informativa sobre saúde venosa promovida pela Alfasigma, a professora Cristiana Vitale, docente de Medicina Interna na Universidade San Raffaele de Roma, chamou a atenção para os sinais iniciais da doença venosa crônica.
Segundo Vitale, os sintomas mais frequentes são a sensação de peso, o inchaço e um mal-estar geral nas pernas. São pequenos alarmes que muitas vezes as pessoas — principalmente mulheres jovens — subestimam, até porque costumam surgir de forma gradual, como o despertar lento de uma paisagem ao amanhecer.
Reconhecer esses sintomas é essencial, sobretudo em fases da vida que promovem maior atenção, como a preparação para uma gravidez. A professora destacou também os comportamentos que amplificam o risco: a tríade perigosa formada pelo sedentarismo, pela alimentação inadequada e pela obesidade. Juntas, essas condições alimentam um círculo vicioso que corrói a saúde das veias, tal qual solo empobrecido que não consegue nutrir suas raízes.
Do ponto de vista prático, isso significa que cuidar das pernas passa por atitudes simples e constantes: evitar longos períodos sentado, melhorar a qualidade da alimentação e controlar o peso. Pequenas intervenções no nosso ritmo cotidiano — caminhar mais, escolher alimentos que fortaleçam a circulação, preservar um sono reparador — funcionam como uma poda benéfica, permitindo que a circulação recupere leveza e fluidez.
É importante sublinhar que a sensibilidade para os primeiros sinais pode transformar o prognóstico. Quando a doença venosa crônica é identificada cedo, a atuação preventiva e terapêutica é mais eficiente, reduzindo desconforto e complicações futuras. Assim como um jardineiro que percebe a muda que murcha e age a tempo, profissionais de saúde e pacientes podem trabalhar juntos para recuperar o vigor das pernas.
Ao mesmo tempo, devemos lembrar que a saúde venosa é também um reflexo dos ritmos urbanos e das escolhas diárias: a respiração da cidade, o formato do nosso dia, a colheita de hábitos que semeamos. Ouvir o corpo quando ele diz que as pernas estão pesadas é uma atitude de atenção e carinho — uma forma de viver a Itália inteira, desde as praças ensolaradas até as trilhas campestres, com mais leveza e presença.
Em resumo, os sinais precoces apontados por Cristiana Vitale — sensação de peso, inchaço e mal-estar nas pernas — não devem ser negligenciados. A prevenção passa pela mudança de hábitos que interrompem o ciclo do sedentarismo, da alimentação inadequada e da obesidade. Agir cedo é cultivar bem-estar: as raízes da saúde venosa agradecem.
Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















