Firenze tornou-se palco de um novo marco para as artes do espetáculo: nasceu oficialmente o Prêmio Franco Zeffirelli, entregue nesta tarde no histórico Salone dei Cinquecento do Palazzo Vecchio. A cerimônia inaugural — concebida como ponto de encontro anual e referência internacional — reuniu nomes que cruzaram trajetórias artísticas e afetivas com o próprio Maestro.
Os dois Premi Speciali foram concedidos ao tenor e maestro espanhol Plácido Domingo e ao ator britânico Robert Powell, personalidade estreitamente ligada ao universo de Franco Zeffirelli. O prêmio de direção coube a Marco Bellocchio, o de figurino foi outorgado à norte-americana Ann Roth, e o reconhecimento à cenografia ficou com as britânicas Sarah Greenwood e Katie Spencer, duo criativo que vem deixando marca no cinema contemporâneo.
A entrega, promovida pela Fondazione Franco Zeffirelli e pelo Trust Zeffirelli para o Centro Internazionale delle Arti e dello Spettacolo, contou com a presença institucional da prefeita de Florença, Sara Funaro, do presidente da Região Toscana, Eugenio Giani, e da assessora regional à Cultura, Cristina Manetti. Idealizada e conduzida por Pippo Zeffirelli, filho adotivo e herdeiro artístico do Maestro, a iniciativa recebeu a Medalha do Presidente da República — selo do elevado valor cultural da proposta.
No discurso de abertura, Plácido Domingo evocou Zeffirelli como “um artista capaz de conjugar luz e sombra em perfeita harmonia”, ressaltando a visão totalizadora do diretor sobre o teatro e a música. Domingo sublinhou o rigor e o perfeccionismo do Maestro: “Nada era deixado ao acaso; cada detalhe — da construção cênica à definição dos personagens — era controlado com precisão absoluta. Uma busca da beleza sempre a serviço da verdade dramática e musical.” A lembrança de ensaios intensos e de um diálogo construtivo com o diretor marcou a fala do tenor, que definiu o prêmio como um tributo à imortalidade da obra zeffirelliana.
Visivelmente emocionado, Robert Powell relembrou a experiência de interpretar um papel carregado de significados universais e espirituais ao trabalhar com Zeffirelli. Powell afirmou que Zeffirelli teve para ele um papel quase paterno, e destacou a responsabilidade ética e artística envolvida na construção de personagens com ressonância histórica e cultural.
Mais do que uma cerimônia de homenagens, o lançamento do Prêmio Franco Zeffirelli funciona como um espelho do nosso tempo cultural: é um gesto de preservação da memória artística e, ao mesmo tempo, um convite às novas gerações para relerem a cena como documento e como possibilidade. A presença de criadores consagrados nas áreas de direção, figurino e cenografia confirma a ambição do projeto em mapear a excelência interdisciplinar das artes do espectáculo.
Ao inaugurar este prêmio em Florença, cidade que porta a história das artes como uma camada visível na sua arquitetura, o gesto tem dupla leitura: é homenagem a um mestre e instalação de um cenário de transformação — uma plataforma que pretende aferir, ano após ano, o roteiro oculto que movimenta a cena internacional.
O Prêmio Franco Zeffirelli nasce, assim, como um novo ponto de referência, onde memória e inovação se encontram para discutir a permanência da beleza em tempos de mudança.






















