Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na terça-feira que marca o retorno da Champions League em formato de playoff, duas leituras distintas do futebol europeu se confrontam: às 18h45, a Juventus tenta reencontrar a solidez perdida contra o Galatasaray no estádio Ali Sami Yen, enquanto às 21h00 a Atalanta de Massimo Palladino entra no caldeirão do Signal Iduna Park para medir forças com o vigoroso Borussia Dortmund.
O cenário em Dortmund é de grande expectativa. O Alianz do Westfalen continua a ser, em muitos sentidos, uma praça pública onde a paixão se converte em vantagem esportiva: o conhecido “Muro Amarelo” voltará a pressionar uma equipe visitante em um ambiente que raramente facilita. O Dortmund chega em bom momento no campeonato doméstico, embalado por uma série de vitórias que reacenderam a confiança. Ainda assim, o técnico Sahin enfrenta uma emergência defensiva: ausências pesadas como Schlotterbeck e Süle obrigarão os alemães a reapresentar uma linha de trás pouco habitual, com repercussões táticas que podem favorecer a Dea.
A Atalanta, por sua vez, mostra a face de um time que aprendeu a conjugar resistência e efetividade — qualidade evidenciada no recente triunfo sobre a Lazio. A notícia menos auspiciosa para Bergamo é a ausência de Charles De Ketelaere, submetido a cirurgia no joelho; o peso ofensivo será repartido entre Gianluca Scamacca e Samardžić. A leitura da partida é, em essência, um choque entre filosofias: a velocidade direta do Dortmund contra o ritmo físico e a inteligênca coletiva italiana.
Importante lembrar uma modificação de vulto na competição: sem a regra do gol fora de casa, as partidas de ida ganham uma nova dimensão estratégica. Espera-se, portanto, um confronto de ida mais franco, com ambas as equipes buscando um resultado de vantagem para administrar no retorno.
Prováveis escalações
Borussia Dortmund (3-4-2-1): Kobel; Ryerson, Anton, Bensebaini; Couto, Nmecha, Bellingham, Svensson; Fabio Silva, Brandt; Guirassy.
Atalanta (3-4-2-1): Carnesecchi; Scalvini, Djimsiti, Ahanor; Zappacosta, De Roon, Éderson, Bernasconi; Samardžić, Zalewski; Scamacca.
No Sudeste da Europa, em Istambul, a Juventus desembarca para uma partida que carrega expectativas e uma boa dose de pressão externa. Os bianconeri garantiram a vaga no playoff após uma campanha de grupos que os deixou na 13ª colocação — cenário que gera questionamentos sobre a capacidade do clube de traduzir tradição em rendimento europeu consistente.
A derrota por 3 a 2 para a Inter, em duelo de campionato marcado pela expulsão de Kalulu (segunda amarelo originado por uma simulação de Bastoni), adiciona uma camada de instabilidade que o técnico Spalletti precisará administrar antes do confronto em Istambul.
Prováveis escalações
Galatasaray (4-2-3-1): Cakir; Sallai, Sanchez, Bardakci, Jakobs; Gabriel Sara, Lemina; Baris Yilmaz, Gundogan, Lang; Osimhen. Treinador: Okan.
Juventus (4-2-3-1): Di Gregorio; Kalulu, Bremer, Kelly, Cambiaso; Locatelli, McKennie; Francisco Conceição, Miretti, Yildiz; David. Treinador: Spalletti.
O calendário segue: na quarta-feira, 18 de fevereiro, o Inter fecha a sequência de partidas italianas com o jogo de ida contra os noruegueses do Bodø/Glimt, mais um capítulo que revela a presença crescente dos clubes nórdicos no mapa competitivo europeu.
Do ponto de vista sociocultural, estes confrontos não só decidem trajetórias em uma temporada como reatualizam memórias coletivas — estádios como o Signal Iduna Park e rivalidades com clubes históricos da Turquia expressam, além do rendimento esportivo, uma geografia de identidade e espetáculo que continua a moldar o futebol europeu contemporâneo.
Para leitores interessados em análise tática e implicações mais amplas, acompanharei os jogos com foco nas escolhas estratégicas que definirão quem dará o primeiro passo rumo às oitavas.






















