Dia Nacional do Gato: o felino que ilumina escolhas e redesenha rotinas
Na manhã em que celebramos o Dia Nacional do Gato, revela-se um retrato do cotidiano italiano em que o gato deixou de ser apenas companhia silenciosa para se tornar um agente na organização familiar, nas viagens e até no ritmo de trabalho. Com mais de 10 milhões de gatos nas casas dos italianos, esses felinos passam a influenciar decisões concretas — uma mudança que merece ser observada com cuidado e afeto.
Um levantamento divulgado pela Rover e comentado pela Espresso Italia traça esse cenário: sete proprietários em cada dez vivem com apenas um gato, 20% têm dois e 9% possuem três ou mais. Essa presença está longe de ser passageira — traduz-se em tempo, cuidado e prioridades rearranjadas.
Os números mostram como o vínculo se manifesta no dia a dia: 32% dos donos dedicam mais de duas horas semanais ao brincar com o gato, e 38% gastam mais de duas horas em carinho. O trabalho remoto ajudou a intensificar esse laço: 44% afirmam que o smart working tornou a relação mais próxima. Não é apenas afeto — é uma rotina partilhada que ilumina novos modos de viver juntos.
A origem do encontro entre humano e felino também diz muito sobre uma sensibilidade social crescente: 28% optaram por adotar em abrigos ou por meio de associações, 27% receberam o animal como presente de amigos ou parentes, e 31% encontrou o gato na rua e, após constatar que era um animal errante, decidiu acolhê-lo. Esses números apontam tanto para uma maior consciência sobre a adoção quanto para a persistência do fenômeno do randagismo felino.
As razões que levam uma família a acolher um gato entrelaçam emoção e praticidade: 26% valorizam o afeto que recebem, 19% apreciam a independência e a gestão mais simples em comparação a outros animais. Para 9%, o felino tem papel importante no bem-estar mental, oferecendo calma e companhia. Há também quem traga o gato por identidade afetiva — 9% cresceram com um felino em casa — e 5% realizaram um desejo antigo na fase adulta. Outros motivos mencionados incluem melhor adaptação ao estilo de vida (8%) e a admiração pela inteligência felina (7%).
No cotidiano prático, a rotina de cuidados é feita de pequenos gestos: 48% dos donos gastam menos de meia hora por semana na limpeza da caixa de areia, e 70% levam no máximo uma hora para lidar com sujeiras domésticas associadas à presença do gato. Mas o tempo mais significativo é o da relação: ao menos três em cada dez italianos ultrapassam duas horas semanais em jogos e carinhos.
A responsabilidade pelo cuidado é frequentemente compartilhada: 40% dividem com o parceiro, 17% com os filhos, enquanto um terço assume a tarefa sozinho. Assim, o gato atua também como elemento de organização familiar, que ajuda a tecer laços e distribuir funções.
O dado que mais ilumina a transformação social é o impacto sobre as viagens: se por anos os cães foram os grandes condicionadores de férias, hoje os felinos entram na equação. Um em cada quatro italianos admite renunciar às férias para não deixar o gato sozinho — um gesto que traduz prioridades afetivas e logísticas e revela como o modo de viajar vem sendo redesenhado.
Essa mudança nos convida a refletir sobre um horizonte límpido onde convivência e responsabilidade caminham juntas. Para quem cuida, o gato não é mero detalhe: é presença que pede cuidado, atenção e, muitas vezes, adaptações concretas na vida familiar. Em tempos de transformação, semear soluções práticas — serviços de pet sitter, abrigos fortalecidos e políticas públicas voltadas ao bem-estar animal — ilumina novos caminhos para uma convivência mais justa e sustentável.
Ao celebrarmos o Dia Nacional do Gato, abraçamos a ideia de que o progresso também se mede na capacidade de cultivar valores: respeito à vida animal, apoio à adoção responsável e a criação de lares onde a presença felina possa florescer com dignidade.
Por Aurora Bellini, para Espresso Italia — curadora de histórias que semeiam impacto positivo e legado cultural.






















