Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à algazarra constante das timelines, cresce um silêncio íntimo: a sensação de solidão entre os jovens universitários. Um estudo publicado no Journal of American College Health desenha esse contraste, mostrando que quanto mais tempo os estudantes passam nas redes sociais, maior a probabilidade de se sentirem isolados — um verdadeiro paradoxo da era conectada.
Os pesquisadores analisaram dados de 64.988 estudantes de mais de 120 faculdades nos Estados Unidos, com idades entre 18 e 24 anos. A conclusão chama atenção: os usuários mais assíduos têm 38% mais chance de experimentar essa sensação de afastamento social. O ponto de corte temporal é claro: dedicar 16 horas por semana (ou cerca de 2 horas ao dia) às plataformas digitais associa-se a um risco ampliado de solidão.
Na prática, isso significa que a presença contínua dentro da comunidade virtual nem sempre se traduz em vínculos reais. Como uma praça vazia onde as luzes ficam acesas, a respiração da cidade digital pode dar a ilusão de companhia, enquanto falta o calor de uma conversa presencial. Mais da metade dos entrevistados — 54% — relatou sentir-se só, um número que dialoga com pesquisas recentes sobre a saúde emocional dos jovens americanos.
Madelyn Hill, que liderou o estudo enquanto concluía seu doutorado na School of Human Services da Universidade de Cincinnati (primavera de 2025) e que hoje leciona na Ohio University, ressalta a gravidade do achado: sabemos que pessoas que se sentem isoladas têm maior propensão à depressão e até a um risco aumentado de morte prematura. A transição para a primeira idade adulta — deixar a casa, iniciar a universidade, formar novas amizades — é um período de colheita de hábitos sociais, portanto as instituições têm papel vital para cultivar laços reais.
O levantamento também apontou diferenças no tecido social do campus: membros de fraternidades e grupos similares tendem a relatar menos solidão, possivelmente pela frequência a festas e encontros. Já aqueles que permanecem morando com a família, fora do campus, mostraram maior sensação de isolamento em comparação aos que vivem nos alojamentos universitários.
Outro indicador importante: cerca de 13% dos estudantes se classificaram como usuários excessivos — ou seja, dedicam pelo menos 16 horas semanais às redes. O padrão é claro: quanto maior o tempo online, maior a probabilidade de distanciamento afetivo no mundo real.
Os autores recomendam que faculdades e universidades informem os estudantes sobre os efeitos do uso excessivo das plataformas e incentivem limites saudáveis de tempo. Como observador atento, eu diria que a solução não é demonizar a tecnologia, mas reinterpretá-la como parte de um jardim que precisa ser regado com encontros face a face, rotinas de cuidado e espaços onde a conversa acabe em abraço, e não apenas em likes.
Ao final, o convite é simples e humano: reaprender a ouvir o próprio tempo interno, permitir que a paisagem das relações desperte junto com a manhã universitária e não se perca no ruído. A saúde mental dos estudantes floresce quando a rede digital volta a ser ponte, não abrigo exclusivo.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















