Flora Tabanelli conquista bronze no Big Air em Milão-Cortina 2026
Por Otávio Marchesini — Espresso Italia
Foi uma noite que sintetiza bem o que o esporte moderno representa para muitas comunidades alpinas: risco calculado, identificação regional e uma narrativa de superação. No Livigno Snow Park, Flora Tabanelli confirmou seu talento ao ganhar a medalha de bronze no big air de ski freestyle das Olimpíadas de Milão-Cortina 2026.
“Foi uma noite fantástica, estou contente com como tudo aconteceu. Ainda nem percebi direito, mas estar aqui com o apoio da família é único”, disse Flora Tabanelli na zona mista após a cerimônia. A jovem atleta, já apontada pela federação como uma promessa, descreveu a prova com a sobriedade de quem viveu a rotina da neve desde cedo: “Desci pensando que era uma competição como outra qualquer. Dedico esse resultado a todas as pessoas que me apoiaram. Nascer na neve me formou; me fez crescer vendo o esporte como a coisa mais positiva que existe.”
O percurso até o pódio não foi linear. Nos meses anteriores, um problema no joelho ameaçou a preparação: “Tentei não ficar pensando nisso, porque eu sabia que conseguia fazer as coisas antes e consigo fazê-las agora. Apesar de tudo, minha perna está em forma e eu estou aqui. Será que pensei em não conseguir? Pensamentos apareceram, até algumas horas atrás, ontem, todos os dias. Não se sabe nunca o que pode acontecer. A única coisa é acreditar em si mesmo e seguir adiante.”
Essa resiliência é também uma característica que liga gerações do esqui italiano. Não por acaso, Tabanelli mencionou Federica Brignone — destaque de Milão-Cortina 2026 com ouro no Super-G e no gigante — como inspiração: “Nos dias recentes falei com ela, dei os parabéns porque ela é realmente uma inspiração.” A referência é relevante: em um país onde a montanha é território simbólico, ídolos proporcionam trajetórias e modelos.
Do ponto de vista técnico, o big air é uma prova que concentra a modernidade do esqui: manobras aéreas complexas, avaliação por impressão artística, amplitude e risco. A execução de Flora no momento decisivo mostrou maturidade — controle do giro, aterrissagem limpa e uma leitura tática da competição que a colocou no terceiro degrau do pódio.
O bronze de Tabanelli tem sentido duplo: é um reconhecimento esportivo e um sinal sobre a saúde da formação nas estações italianas. Jovens nascidas e formadas na neve têm hoje estruturas melhores, mas igualmente enfrentam pressão e lesões que exigem gestão técnica e psicológica apurada. A narrativa de Flora, que não romantiza as dificuldades, mas as incorpora como parte do caminho, torna-se um exemplo sóbrio para treinadores e gestores.
Em termos simbólicos, um pódio olímpico em Milão-Cortina 2026 requalifica a presença italiana no freestyle: mais do que um resultado isolado, a medalha de Flora Tabanelli reitera que o país consegue formar atletas capazes de brilhar em modalidades que exigem inovação e coragem.
17 DE FEVEREIRO DE 2026 | 09:04 — © Reprodução reservada






















