Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Presidente da República, Sergio Mattarella, convidou oficialmente os atletas que conquistaram medalhas nos Jogos de Milano Cortina 2026 para uma cerimônia no Quirinale. A audiência foi marcada para quarta-feira, 8 de abril, às 16h30, e terá um significado simbólico que transcende o resultado esportivo: nesta ocasião serão restituídas as bandeiras pelos porte-bandeiras olímpicos e paralímpicos.
Segundo comunicado do CONI (Comitato Olimpico Nazionale Italiano), o chefe de Estado informou o presidente do Comitê, Luciano Buonfiglio, e o presidente do CIP (Comitato Italiano Paralimpico), Marco Giunio De Sanctis, sobre a realização do encontro. Repetindo um gesto que já havia ocorrido após Paris 2024, o convite foi estendido também às atletas e aos atletas que terminaram em quarto lugar, numa ampliação do reconhecimento institucional para além do pódio estrito.
O rito de receber medalhistas no Quirinale funciona como um instante de memória coletiva: as vitórias e as histórias individuais dos esportistas são incorporadas a uma narrativa nacional, e a devolução das bandeiras pelos alfieri — os porte-bandeiras — é uma cerimônia que ressignifica a representação e o simbolismo nacional. Para a Itália, anfitriã coorganizadora de Milano Cortina, o evento no Palácio do Presidente reafirma o esporte como uma peça de identidade cultural e diplomática.
Do ponto de vista institucional, a inclusão dos quartos colocados mantém uma linha de reconhecimento ampliado, valorizando o esforço e a proximidade ao pódio. Trata-se de um gesto que, embora discreto, tem efeitos palpáveis: amplia a visibilidade de performances que, muitas vezes, se perdem na narrativa centrada apenas em medalhas e proporciona um argumento de valorização para políticas de formação e investimento esportivo.
Como analista atento às tramas que ligam esporte, sociedade e Estado, considero relevante observar como estas cerimônias se inserem em estratégias mais amplas. Ao receber as delegações no Quirinale, o Presidente Mattarella não apenas honra resultados atléticos, mas consagra simbolicamente a ideia de que o esporte é um componente legítimo da memória pública e do orgulho cívico — um gesto com repercussões na percepção pública sobre financiamento, infraestrutura e legado esportivo.
A data escolhida, 8 de abril, permitirá também que atletas, técnicos e autoridades organizem-se após o desdobramento competitivo, oferecendo um instante de balanço institucional e humano. Para além do protocolo, será um momento para ouvir relatos, reconhecer trajetórias e fixar imagens que permanecerão na memória coletiva do país.
Em suma: a recepção no Quirinale será mais do que um ato formal. Será um espelho das prioridades simbólicas com que a Itália encara seus grandes eventos esportivos — e, possivelmente, um estímulo para que o investimento no esporte seja lido não só em termos de medalhas, mas como construção de um patrimônio social.






















