Na esteira das grandes narrativas esportivas que atravessam a Itália, foi apresentado hoje no salão de honra da Casa Italia na Triennale di Milano o docufilm “Ambra Sabatini. A un metro dal traguardo”. A obra acompanha o percurso humano e atlético de Ambra Sabatini, figura que já se consolidou não só como referência paralímpica — porta-bandeira da Itália em Paris 2024, múltipla medalhista de ouro e detentora do recorde mundial nos 100 metros —, mas também como voz ativa em campanhas institucionais pela segurança no trânsito.
O filme foi produzido em colaboração com a Autostrade per l’Italia (Aspi), parceira oficial dos Jogos de Milano Cortina 2026. A escolha do parceiro não é casual: trata-se de uma articulação entre esporte de alto rendimento e responsabilidade pública, que traduz em ação concreta uma mensagem recorrente na trajetória de Sabatini — a ideia de renascimento que se transforma em compromisso social.
A projeção de estreia contou com a presença do presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, do administrador delegado da Aspi, Arrigo Giana, e, naturalmente, da própria Ambra Sabatini. Em paralelo, como parte das iniciativas promovidas por Autostrade per l’Italia no âmbito da parceria com Milano Cortina 2026, foram iluminados com as tonalidades do tricolore os pontos de acesso rodoviário que conduzem às localidades-sede dos Jogos: as barreiras de Venezia Nord, Belluno, Arcoveggio e Milano.
Mais do que um relato de vitórias e recordes, o documentário propõe uma leitura sobre a dimensão pública dos gestos individuais. A história de Sabatini — sua recuperação, reinvenção e ascensão — funciona como um espelho para políticas de prevenção e para o papel das grandes entidades na formação de uma cultura de respeito e segurança nas vias. A presença de uma concessionária rodoviária como patrocinadora reforça essa ponte: infraestrutura e memória coletiva conversam, aqui, com a urgência de reduzir riscos e educar condutores.
Como analista, é preciso destacar que iniciativas desse tipo excedem a promoção pontual de um grande evento esportivo. Elas se inserem numa tradição italiana de usar ícones esportivos para narrar projetos de reconstrução social — especialmente relevantes quando se fala de mobilidade, que atravessa regionalismos, economia e saúde pública. A luz tricolor sobre praças de pedágio é um símbolo: não somente um anúncio dos Jogos, mas um gesto urbano que demarca responsabilidade cívica num espaço de circulação e conflito.
O docufilm, cuja estreia em Casa Italia marca uma etapa simbólica antes do grande ciclo de competições, merece ser acompanhado com atenção. A sua circulação pode ampliar o alcance de mensagens essenciais: a do esporte como mecanismo de integração e a da prevenção como prática cotidiana. Em um país onde estádios e estradas contam histórias da mesma nação, a narrativa de Ambra Sabatini ocupa um lugar singular — ao mesmo tempo esportivo, social e ético.






















