Bruxelas – Em um movimento que mistura cálculo diplomático e prioridades domésticas, os ministros das Finanças dos seis maiores países da União Europeia promoveram em Bruxelas um encontro informal — o chamado E6 — com a declaração pública de intenção de “ditar o ritmo da competitividade” para uma Europa que vacila em seu crescimento.
O encontro incluiu França, Alemanha, Países Baixos, Itália, Polônia e Espanha e teve como porta-voz mais visível o ministro francês Roland Lescure, que, ao chegar ao Conselho da UE, afirmou que o objetivo foi reafirmar a necessidade urgente de competitividade: “Queremos ser aqueles que ditam o ritmo da competitividade“, disse. A mensagem, límpida e com sentido político, projeta um pequeno bloco que procura assumir a liderança do esforço econômico europeu.
Notoriamente, o titular do Ministério da Economia e Finanças italiano, Giancarlo Giorgetti, optou por permanecer em Roma para gerir presencialmente compromissos institucionais, participando — segundo fontes oficiais alemãs — por videoconferência em alguns pontos da reunião. Do ponto de vista político, a decisão de ficar em solo nacional gerou interpretações: era um movimento defensivo para equilibrar as três prioridades anunciadas pelo governo — Itália, Europa e Igreja — ou uma escolha que enfraquece a projeção exterior do país?
Na substância, o grupo E6 concentrou-se em duas frentes concretas: acelerar a implementação da União da poupança e dos investimentos e reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento de matérias-primas essenciais. São temas que influenciam diretamente a autonomia estratégica e a capacidade de resposta da indústria europeia frente a choques geopolíticos e comerciais.
Do lado alemão, o ministério das Finanças qualificou o encontro como “um intercâmbio completo, produtivo e orientado a resultados”. A formulação aponta para um motor ainda muito centrado em Berlim e Paris, apesar dos esforços declarados por Roma de ocupar lugar de destaque no tabuleiro europeu.
Os ministros marcaram a próxima reunião em formato E6 para 9 e 10 de março, em coincidência com as sessões do Eurogrupo e do Ecofin. A agenda promete aprofundar o debate sobre o fortalecimento do papel internacional do euro e a eficiência dos investimentos em defesa — temas que redesenham, mesmo que discretamente, fronteiras de influência e prioridades estratégicas.
Por ora, o calendário imediato traz outra ausência italiana: Giorgetti também não estará presente nas discussões do Ecofin do dia 17 de fevereiro, por ter compromissos oficiais na embaixada italiana junto à Santa Sé, em celebração ao 97º aniversário dos Pactos de Latrão e da revisão do Concórdio. É uma imagem simbólica — três pares de sapatos a serem calçados ao mesmo tempo — e que traduz, com clareza, a tensão entre prioridades internas e ambições externas.
Do ponto de vista estratégico, o que vimos em Bruxelas é um movimento deliberado no tabuleiro europeu: um pequeno núcleo tenta puxar a tectônica do poder econômico para um eixo de maior competitividade. Resta saber se esse movimento será seguido com a rapidez e coesão necessárias, ou se os alicerces frágeis da diplomacia econômica europeia tornarão o impulso apenas mais um gesto de retórica.
Marco Severini — Espresso Italia






















