Por Erica Santini — No coração das Dolomitas, onde a neve encontra a luz dourada do entardecer, a cultura assume o papel de embaixadora das emoções olímpicas. Em um encontro que é ao mesmo tempo cerimônia e promessa, a Arena di Verona apresentou em Cortina d’Ampezzo, dentro da acolhedora Casa Veneto — espaço da Regione — o seu Opera Festival 2026, costurando o relato grandioso dos Jogos de Milano Cortina com a tradição lírica que faz eco nas pedras do anfiteatro veronês.
Foi uma noite onde o simbólico e o sonoro se encontraram. O maestro e produtor de espetáculo Marco Balich esteve entre os protagonistas deste diálogo cultural, lembrando que a ópera e as cerimônias olímpicas partilham a mesma arte de contar histórias que transcendem fronteiras. A Arena di Verona prepara-se, pela primeira vez em sua longa e venerável história, para assumir um papel central nas Cerimônias: no domingo, 22 de fevereiro, acolherá a cerimônia de encerramento dos Jogos de Inverno com a participação da Orchestra e do Coro areniani, e no dia 6 de março será palco da abertura das Paralimpiadi.
Foi também noite de música ao vivo. O violinista Giovanni Andrea Zanon presenteou o público com um momento de pura intensidade: trechos de As Quatro Estações de Antonio Vivaldi e um dos capriccios de Niccolò Paganini, melodias que pareciam ressoar como um fio que liga a tradição veneziana às montanhas ampezzanas. Um prefácio sonoro para um verão areniano que se anuncia histórico.
Mais do que espetáculo, a apresentação ressaltou o papel da Arena Opera Festival como motor de turismo e economia cultural. Com as transmissões das Cerimônias Olímpicas e Paralímpicas, o monumento símbolo da lírica ao ar livre alcançará potencialmente bilhões de espectadores nos cinco continentes — uma vitrine global que sublinha o entrelaçar entre a excelência artística italiana e a visibilidade internacional proporcionada por Milano Cortina.
No fim da noite, entre conversas e brindes, ficou a sensação de um ponte—uma passagem onde o drama musical encontra a grande narrativa do esporte. Em breve, a Arena di Verona retornará à sua vocação de palco ao ar livre, prometendo uma temporada que celebrará o melhor da tradição e da inovação: um convite a Dolce Far Niente, mas também a uma partitura viva que dialoga com o mundo.
Andiamo: que a música continue a abrir portas, e que Cortina e Verona, juntas, ofereçam ao público da Itália e do mundo momentos de beleza inesquecíveis.






















