Ciao, viajante. Se fecharmos os olhos por um instante e deixarmos nossos sentidos conduzirem, podemos quase saborear a história do mar: o sal na pele, o canto profundo que atravessa a água e o horizonte que se move lento, como um suspiro. Entre março e novembro, a migração das baleias pela Austrália Ocidental é esse poema em movimento — um espetáculo natural que percorre cerca de 13.000 km de costa e convida à contemplação.
Da fria vastidão da Antártida às águas mais quentes ao largo do nordeste do Estado, diferentes espécies seguem seus ritmos. Perto de Perth, os primeiros indícios chegam em março: as observações se estendem até novembro e, em locais como o Perth Canyon, entre março e maio, há relatos das impressionantes baleias-azuis — os gigantes silenciosos do oceano — ocupadas em alimentar-se de krill. São animais raros de avistar, e quando aparecem, deixam uma impressão de força e fragilidade ao mesmo tempo.
De setembro a novembro, a migração prossegue ao longo da costa, com baleias que retornam para áreas de reprodução e descanso, oferecendo cenas de pura graça acessíveis a quem parte em excursões. Saindo dos portos de Fremantle ou Hillarys, ou mesmo rumo à encantadora Rottnest Island, operadores experientes conduzem os visitantes — sempre com protocolos de respeito — para observações responsáveis e emocionantes. Andiamo: é uma experiência que aproxima, sem invadir, permite ouvir o sopro e ver a curva imensa das costas em um balé marinho.
Além da costa de Perth, a porção sul do Estado também é um palco natural para encontros com as baleias. As jubartes (megattere) e as baleias-francas-australianas são frequentemente avistadas em enseadas e baías, onde a luz dourada do entardecer parece lapidar a superfície do mar. Para mim, como curadora de experiências, é nesses momentos que se manifesta o verdadeiro Dolce Far Niente — a contemplação serena do tempo que passa, marcada pela textura do tempo nas paredes e pelo perfume salgado do vento.
Se você planeja viver esse encontro, escolha empresas locais comprometidas com a conservação: observe a distância recomendada, evite ruídos desnecessários e, acima de tudo, celebre sem perturbar. A observação de baleias é, antes de tudo, um convite à humildade diante de grandes migrantes e do ciclo eterno dos oceanos.
Se desejar, posso sugerir roteiros para combinar esses avistamentos com vinícolas escondidas, vilarejos costeiros e trilhas onde o vento conta histórias antigas. A promessa é simples: ao ver uma baleia emergir e desenhar no ar uma assinatura temporária, você carregará com você um segredo do mar — uma lembrança que cheira a liberdade e a mar.
Palavras-chave: migração das baleias, Austrália Ocidental, Perth Canyon, baleias-azuis, observação de baleias.




















