Por Giulliano Martini — A Procura generale de Roma solicitou hoje a confirmação da condenação ao ergastolo e o reconhecimento da agravante do método mafioso no processo contra Raul Esteban Calderon, acusado do homicídio de Fabrizio Piscitelli, conhecido como Diabolik. A morte ocorreu em 7 de agosto de 2019, quando Piscitelli foi atingido por um tiro na cabeça no Parco degli Acquedotti.
Em sustentação técnica, os representantes do Ministério Público, entre os quais o procurador da DDA Francesco Cascini, pediram ainda a reabertura da instrução para a aquisição do tabulato do criptofone de Leandro Bennato. Segundo a acusação, esse registro poderia ligar as antenas de telefone na área do crime e reforçar a hipótese de coordenação típica de organização criminosa.
Na leitura do procurador-geral, o homicídio de Piscitelli ocorreu no âmbito de uma realidade de criminalidade organizada. “Compreender quem era Piscitelli é essencial para traçar as possíveis motivações do crime”, afirmou a Procuradoria: ele teria crescido com a família Senese e mantido vínculos estreitos com Michele Senese, uma relação que não se limitava à amizade, mas que favoreceu sua ascensão em espaços do crime e do narcotráfico.
O relato do Ministério Público aponta que Piscitelli buscava se colocar como interlocutor capaz de pacificar conflitos entre grupos rivais — uma função de ‘paz’, porém marcada por rivalidades internas. “Atuava como pacificador, mas a relação com Senese entrou em crise. Piscitelli deixou de ser reconhecido por Senese e o homicídio ocorreu justamente em uma área de interesse de Senese”, diz o documento.
Em estilo de apuração rigorosa, cruzamos as informações das alegações da Procura generale com os documentos do processo e as declarações apresentadas em audiência. A reabertura da instrução solicitada pela acusação concentra-se na prova telefônica que, caso admitida, poderá reconstruir movimentações comunicacionais na véspera e no dia do crime. A obtenção do tabulato do criptofone de Bennato é, para a acusação, peça-chave para demonstrar vínculos e responsabilidades além do autor material apontado.
O pedido da Procuradoria também reforça a tese de que o homicídio não foi um episódio isolado, mas que se insere em dinâmicas de controle territorial e de interesses sobre o tráfico. Em termos práticos, o reconhecimento do método mafioso implica maior rigor na dosimetria da pena e na caracterização do crime como ligado a organização criminosa, com consequências jurídicas relevantes para réus e eventuais coautores.
O caso seguirá para análise da instância superior, que deverá avaliar tanto a manutenção da pena de ergastolo quanto a aplicação da agravante. A decisão terá impacto direto na qualificação do crime e na estratégia de investigação para identificar possíveis mandantes e redes de apoio.
Apuração in loco e cruzamento de fontes permanecem em curso. Este é o raio-x do caso até o pedido formalizado pela Procuradoria: fatos brutos, documentos e requerimentos que agora serão submetidos ao escrutínio da corte.






















