Por Marco Severini — Em um movimento decisivo no grande tabuleiro celeste, no dia 17 de fevereiro de 2026 ocorrerá a primeira eclípse solar do ano, do tipo eclipse solar anular. O fenômeno, popularmente conhecido como “anel de fogo”, será visível em sua totalidade apenas sobre a Antártica, onde equipes científicas em bases continentais terão a visão privilegiada e as condições logísticas para medições precisas.
Na prática: a Lua passará entre o Sol e a Terra, mas estando no ponto mais distante de sua órbita (apogeu) não cobrirá inteiramente o disco solar. O que restará visível será a borda externa do Sol formando o característico anel de fogo. O máximo do evento está previsto para as 13:12 (hora italiana) e a fase central terá duração muito breve — cerca de 1 minuto e 52 segundos, aproximadamente 2 minutos no seu conjunto.
Do ponto de vista geográfico, somente os observadores instalados nas pesquisas e estações na Antártica poderão acompanhar o fenômeno em sua plenitude. Observadores situados nas extremidades meridionais da América do Sul e da África, assim como em pontos dispersos dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, terão acesso apenas a uma visão parcial do evento. É, em termos estratégicos, um exemplo de como a visibilidade de um acontecimento pode ficar restrita a zonas bem definidas — quase uma redesenho de fronteiras invisíveis no mapa celeste.
Do ponto de vista científico, a geometria é quem dita as regras. A conhecida coincidência de escala — a Lua sendo aproximadamente 400 vezes menor que o Sol, mas também estando em média 400 vezes mais próxima da Terra — é a base para que ambos pareçam de tamanho similar no firmamento, permitindo eclipses totais quando a Lua está mais próxima (perigeu) e eclipses anulares quando está mais distante (apogeu).
Na estação ítalo-francesa Concordia, em território antártico, pesquisadores executarão medidas com um radiômetro, instrumento capaz de avaliar a intensidade da radiação eletromagnética incidente. “Haverá observações programadas também para a eclípse total de 12 de agosto”, afirma Gerardo Capobianco, do Instituto Nacional de Astrofísica de Turim, “mas para a Itália e grande parte da Europa a visibilidade será limitada ou inexistente por razões astronômicas e meteorológicas.” Em resumo: o evento de agosto não será conveniente para observadores europeus.
Do ponto de vista prático e de segurança: qualquer observação direta do Sol exige filtros adequados (óculos certificados para observação solar ou filtros instalados em instrumentos). Mesmo uma visão parcial do anel de fogo pode causar danos permanentes à visão se feita sem proteção apropriada.
Enquanto diplomacia e estratégia olham para as superfícies de poder, a astronomia recorda-nos que há regras inalteráveis e precisas regendo os movimentos celestes. Este eclipse solar anular é, portanto, um lembrete da arquitetura clássica do cosmos — uma coreografia de distâncias e tamanhos que, raramente, nos oferece espetáculos tão concentrados e efêmeros.
Para equipes científicas estacionadas na Antártica, trata-se de uma oportunidade de coletar dados raros; para observadores em latitudes mais ao norte, resta a contemplação parcial e a análise remota dos resultados. No fim, é mais um lance do tabuleiro celeste — breve, decisivo, e de grande valor informativo.






















