Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Uma forte nevasca em Livigno voltou a testar a capacidade logística dos organizadores de Milano Cortina. A queda de neve provocou redução de visibilidade, cancelamentos no transporte local e o adiamento das qualificações do sci acrobatico feminino — um lembrete de como o elemento natural continua a influir decisivamente no calendário esportivo e na dramaturgia olímpica.
Mesmo com as dificuldades meteorológicas, houve espaço para momentos de significado histórico: a italiana Flora Tabanelli conquistou um resultado memorável no Big Air, uma vitória que reescreve parte da memória do esporte aéreo nacional e projeta novas narrativas sobre formação e investimento nas disciplinas acrobáticas.
Neve, logística e impactos esportivos
A nevasca em Livigno não é apenas um transtorno operacional. Em grandes eventos, a sobreposição entre clima, mobilidade e comunicação revela fragilidades institucionais e a necessidade de planos redundantes. O adiamento das qualificações do sci acrobatico feminino e os atrasos que já vinham ocorrendo — como o da final de Big Air — ilustram essa tensão entre espetáculo e segurança.
Hóquei: uma partida que vale quartas e identidade
Na Milano Rho Ice Hockey Arena está marcada uma partida única, eliminatória: Italia x Suíça, com o vencedor avançando aos quartos de final. Após vitórias significativas contra Suécia e Eslováquia, a seleção italiana chega com um discurso de credibilidade, embora medidas no nervo de um jogo decisivo. A fórmula é implacável — tempo regulamentar, possível overtime e, em caso de empate, a definição por penalidades. É uma situação que não apenas decide uma campanha olímpica, mas esculpe, a cada lance, uma memória coletiva para o hóquei italiano.
Combinada nórdica e perspectivas nacionais
Em Predazzo, a jornada da combinata nordica iniciou com os saltos no trampolim longo. Depois da sequência, o japonês Ryota Yamamoto lidera a prova, seguido pelo austríaco Johannes Lamparter e pelo norueguês Andreas Skoglund. Entre os italianos, Aaron Kostner aparece como o melhor colocado, em 27º, com Alessandro Pittin e Samuel Costa acumulando distâncias superiores a dois minutos. A prova de 10 km, prevista para as 13h45, promete consolidar posições e testar resistência — um confronto onde fisiologia, técnica e estratégia convergem.
Patinagem de velocidade: chance de pódio
No pattinaggio di velocità, a disputa por medalhas passa pelo perseguição por equipes, e os italianos mostraram solidez nas eliminatórias. O confronto direto com os Países Baixos será determinante: não é apenas uma corrida contra rivais tradicionais, mas um testamento do desenvolvimento de um programa que busca traduções palpáveis em pódios olímpicos.
Diplomacia, protocolo e presenças
Durante o briefing matinal, o porta-voz do COI, Mark Adams, evitou especulações sobre movimentos de chefes de Estado, ao ser questionado sobre uma possível ida do presidente americano ao evento caso os Estados Unidos alcancem a final do hóquei. No plano doméstico, o Presidente da República, Sergio Mattarella, convocou os medalhistas e paralímpicos de Milano Cortina 2026 ao Quirinale em 8 de abril, às 16h30, inclusive os atletas classificados em quarto lugar — um gesto de reconhecimento que reforça o papel simbólico das competições na construção de prestígio nacional.
O que se observa, no conjunto das notícias do dia, é a natureza multifacetada das Olimpíadas: um palco onde clima, política, logística e performance se entrelaçam. Mais do que resultados isolados, são essas interseções que definem a validade histórica dos feitos — e que merecem ser interpretadas com cuidado. Em termos práticos, a agenda esportiva segue apertada e as próximas horas serão decisivas para ajustar cronogramas, preservar atletas e transformar o confronto técnico em memória coletiva.






















