Por Stella Ferrari – As principais bolsas europeias ensaiaram uma recuperação ao longo do pregão após início incerto: Milano, Londres e Paris negociam acima da paridade, enquanto Frankfurt permanece em território negativo. A leitura sugere uma calibragem fina do apetite ao risco, com investidores ajustando posições antes da próxima onda de indicadores e comunicação de bancos centrais — o verdadeiro painel de bordo do motor da economia.
No continente asiático, a liquidez segue comprimida pelas festas do Ano Novo Chinês e pela celebração na Coreia do Sul. Quase todas as praças fecharam; no Japão, o índice Nikkei registrou queda de cerca de 0,5% após dados de PIB do quarto trimestre abaixo das estimativas, enquanto em Sydney a bolsa avançou 0,24%.
Em Nova York, a Bovespa de referência permaneceu fechada pelo President’s Day, e os mercados aguardam com atenção os próximos passos da Federal Reserve. Amanhã serão divulgadas as atas da última reunião, documento que pode acelerar a expectativa de um novo corte de juros em março — uma possível mudança na calibragem de juros que atua como freios ou boosters sobre a dinâmica global de ativos.
No segmento de commodities, o preço do ouro recuou para níveis abaixo dos 5.000 dólares por onça. A fraqueza do metal precioso é explicada em grande parte pela menor liquidez, devido às praças asiáticas e americanas fechadas, e pelo fortalecimento do dólar, que pressiona o apetite por ativos denominados em outras moedas.
A criptoeconomia também sentiu a maré: o Bitcoin permanece bem abaixo dos 70 mil dólares. Desde os recordes de outubro, a principal criptomoeda acumulou uma retração superior a 50% — um recuo que coloca em evidência a volatilidade estrutural do segmento e a necessidade de estratégias de risco mais rigorosas por parte de alocadores institucionais e privados.
Do ponto de vista estratégico, estamos numa fase em que a combinação entre baixa liquidez e eventos de política monetária pode gerar movimentos amplificados. Como estrategista, vejo essa conjuntura como uma fase de ajuste de marcha: não é apenas sobre velocidade, mas sobre a forma como se faz a transição entre regimes de juros mais rígidos para potenciais cortes. Investidores orientados à performance devem monitorar a publicação das atas da Federal Reserve, a evolução do dólar e a rotação entre ativos de risco e porto seguro.
Resumo prático: bolsas europeias recuperam terreno no dia; ouro cai por causa do dólar e da liquidez reduzida; Bitcoin segue em correção profunda desde os picos de 2025. A próxima janela decisiva para os mercados será a leitura das atas do Fed, capaz de determinar a direção e a intensidade da próxima aceleração ou frenagem do ciclo.
Stella Ferrari – Economista sênior e estrategista de mercados, Espresso Italia.





















