Depois de um 2025 marcado por sinais de fadiga, o setor de consumos fora de casa está projetado para uma recuperação moderada em 2026, mas ainda longe de uma retomada robusta. Dados da Circana apontam para um crescimento da despesa de cerca de +3% no próximo ano, acompanhado por um aumento tímido nas visitas de aproximadamente +0,9%. No segmento retail food service a previsão é de +1,4%, enquanto o quick service deve avançar em torno de +1%. A inflação no canal deve recuar para abaixo de 1%, beneficiando a consolidação de faturamentos mais do que uma expansão de volumes.
O setor Ho.Re.Ca. continua sendo um motor essencial da economia nacional. Segundo levantamento do Centro Studi da Italgrob com base em dados da Circana, o mercado brasileiro–perdão, italiano–registra faturamento superior a €100 bilhões, com cerca de 382 mil pontos de consumo entre restaurantes, bares, pizzarias e hotéis. O emprego no setor supera 1,5 milhão de pessoas, com predominância feminina.
Antonio Portaccio, presidente da Italgrob, ressalta que o fora de casa não é apenas um propulsor econômico, mas também um componente identitário do estilo de vida italiano — do ritual do aperitivo à cozinha tradicional. No entanto, ele adverte para um quadro de estagnação estrutural: menos frequência aos locais, enquanto as receitas são mantidas principalmente pelo incremento dos preços. Diante desse cenário, Portaccio pede políticas fiscais e regulatórias que apoiem as PMEs, investimentos em digitalização e sustentabilidade, e a criação de um registro específico de distribuidores Ho.Re.Ca. junto ao Ministério das Empresas e do Made in Italy.
Em 2025, as entradas nos estabelecimentos recuaram 0,8% em relação a 2024; o crescimento do giro de negócios só foi possível graças ao aumento médio dos preços de +3%. A tendência não é exclusividade italiana: nos principais mercados europeus (Itália, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido), a despesa total do Ho.Re.Ca. alcança cerca de €309 bilhões, mas as visitas permanecem aproximadamente 10% abaixo do nível pré-pandemia.
O ajuste do consumo reflete a perda de poder de compra: observa-se um trading down com menos produtos por compra (-0,7%), migração para segmentos mais econômicos (-1,1%) e maior atenção ao custo-benefício. Entre as mudanças de comportamento, cresce o consumo de água da torneira (+5%), enquanto as bebidas alcoólicas caem (-7%). Em contrapartida, as opções low e no alcohol avançam +13%, impulsionadas sobretudo pelos consumidores entre 18 e 34 anos, mais sensíveis a saúde e bem-estar. Apesar do crescimento expressivo, essas alternativas ainda não compensam a queda nas categorias alcoólicas de maior valor agregado.
Alguns nichos apresentam dinamismo: o delivery segue sustentando vendas de produtos fáceis de transportar — pizza e sushi, por exemplo, cresceram cerca de +12%. Paralelamente, registra-se uma ampliação do fenômeno do dining in, com consumidores optando por experiências domésticas e híbridas que demandam novas respostas logísticas e de produto por parte das empresas.
Em síntese, o setor opera hoje com o ‘motor da economia’ trabalhando em marcha lenta: há aceleração de tendências como digitalização, sustentabilidade e canais alternativos de consumo, mas também freios fiscais e desafios estruturais que exigem calibragem de políticas e design de incentivos para recuperar volumes sem sacrificar margens. A agenda para 2026 é clara: políticas de suporte às PMEs, investimentos tecnológicos e régua regulatória inteligente para transformar recuperação marginal em trajetória de crescimento resiliente.






















