Em uma manobra que remete a movimentos estratégicos sobre um tabuleiro geopolítico, surgem rumores de diálogos discretos entre a administração de Donald Trump e o movimento separatista canadense Alberta Prosperity Project (APP). Fontes identificadas com o chamado “deep state” informam que representantes do APP teriam se reunido por três ocasiões em 2025 com oficiais de alto escalão do governo norte-americano e que novos encontros estariam em pauta.
Os protagonistas do movimento albertense, segundo suas próprias declarações, estão a discutir uma ampla gama de opções no caso de uma eventual ruptura política com Ottawa. No centro dessas conversas estariam temas constitutivos de soberania e integração: a adoção do dólar norte-americano, segurança fronteiriça, gestão de impostos e dívida pública, reformas no sistema previdenciário provincial e até a criação de um exército autônomo.
Fontes citadas pelos relatos apontam igualmente para um plano econômico ambicioso — avaliado em cerca de US$ 500 bilhões — pensado para sustentar a viabilidade de um possível referendo de independência. Os interlocutores do APP, contudo, negam ter afirmado formalmente o objetivo de transformar a província no 51º Estado dos EUA, ressaltando que as conversas visam explorar formas de cooperação e garantias caso ocorra um processo de secessão.
Este episódio insere-se em um contexto estratégico mais amplo. Um documento de defesa vinculado ao Pentágono, amplamente divulgado e discutido na opinião pública, marca um retorno retórico à Doutrina Monroe — rebatizada por apoiadores como “Donroe” — com a ambição declarada de reafirmar o protagonismo militar americano no hemisfério ocidental. O texto critica administrações anteriores por, segundo os autores, terem negligenciado interesses norte-americanos em pontos nodais como o Canal do Panamá e a Groenlândia.
Do ponto de vista prático, a proposta de assistência — se confirmada — envolveria tanto garantias econômicas quanto discussões sobre segurança regional e logística militar. Pergunta-se, nos bastidores, até que ponto os Estados Unidos estariam dispostos a financiar um novo arranjo territorial que redesenharia, ainda que informalmente, linhas de influência no Norte da América.
No Canadá, a resposta política tem sido enfática. Em pronunciamento a partir de Quebec, o primeiro-ministro Mark Carney reafirmou a unidade nacional: “O Canadá não vive graças aos Estados Unidos; prosperamos porque somos canadenses”, disse, pedindo coesão e rejeitando qualquer solução que fragilize a soberania de Ottawa.
Como analista, vejo este conjunto de relatos como um movimento de peças num tabuleiro onde as fronteiras formais enfrentam pressões de uma tectônica de poder mais fluida. Mesmo que hoje se trate de rumores, a mera existência de conversas de alto nível revela uma preocupação estratégica: a estabilidade dos alicerces diplomáticos e a sensibilidade de interesses energéticos e militares na região. A evolução desse enredo exigirá atenção cuidadosa aos fatos verificáveis e à dinâmica entre Ottawa, Edmonton e Washington.






















