Um novo e perturbador episódio no tabuleiro conflituoso do Sudão tornou-se público nas primeiras horas: um ataque atribuído às Forças de Suporte Rápido (RSF) atingiu o hospital de al-Mazmoum, no estado de Sennar, causando ao menos três mortos e sete feridos, entre estes um trabalhador da saúde. A denúncia partiu da Sudan Doctors Network, que atribui o impacto a um drone lançado pelas milícias paramilitares durante a noite.
Segundo a rede médica, as vítimas são em sua maioria civis e pessoal sanitário, e o balanço inicial pode ainda agravar-se conforme a avaliação das equipes sobre o terreno. A organização salientou, com firmeza, que o ataque a instalações de saúde configura uma clara violação das normas do direito internacional que protegem hospitais e profissionais de saúde em teatros de conflito.
As RSF não emitiram comentário imediato sobre o episódio. Este ataque insere-se num padrão já denunciado anteriormente: autoridades sudanesas e diversos organismos de direitos humanos haviam acusado o grupo de alvejar infraestruturas civis, enquanto as milícias, genericamente, afirmam operar para “proteger civis”, sem, contudo, abordar os eventos específicos.
O incidente em Sennar soma-se a uma série de ataques a estruturas sanitárias que vêm corroendo os alicerces do sistema de saúde sudanês. Em 10 de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o sistema de saúde retornou a um estado de vulnerabilidade após três unidades no estado do Kordofan do Sul terem sido atingidas. Casos anteriores incluem o bombardeio do hospital militar de Al-Kuweik, com 22 mortos, além de ataques a escolas e campos de deslocados em Kordofan do Norte e Tawila, no Darfur — locais onde a insegurança alimentar e a malnutrição vêm se intensificando.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que explica, em linhas tectônicas, o redesenho de influência dentro do território sudanês: a erosão deliberada da infraestrutura civil — particularmente médica — não é apenas dano imediato à população, mas também uma manobra para minar a resistência social e a legitimidade das instituições que poderiam contrariar o avanço de grupos armados. Quem ataca hospitais desloca fronteiras invisíveis de proteção e complica ainda mais a entrega de assistência humanitária.
Em Roma, o embaixador do Sudão na Itália, S. E. Emadeldin Mirghani Abdelhamid Altohamy, procurou a imprensa para ampliar a compreensão europeia sobre o conflito iniciado em 15 de abril de 2023 e seu desdobrar até hoje, enfatizando a urgência de atenção internacional e de medidas de proteção às populações civis.
Enquanto as investigações continuam e as equipes médicas tentam estabilizar os feridos, o apelo das organizações humanitárias e médicas é claro: reverter essa lógica de ataque a civis e infraestruturas essenciais exige pressão diplomática coordenada e monitoramento independente. No tabuleiro dessa guerra fragmentada, cada hospital destruído representa uma peça a menos no xadrez da governança e da sobrevivência coletiva.
Atualizaremos a matéria à medida que novas informações oficiais forem divulgadas.





















