Arianna Fontana terminou fora da zona de premiação na final dos 1000 metros do short track nos Jogos de Milano Cortina 2026, ocupando o quarto lugar em uma prova marcada por contato e controvérsia. O ouro ficou com a neerlandesa Xandra Velzeboer (1’28″43), a prata com a canadense Courtney Sarault (1’28″53) e o bronze com a sul-coreana Gilli Kim (1’28″63). A final B dos 1000 m foi vencida pela italiana Elisa Confortola.
A distância dos 1000 metros segue sendo, para a veterana italiana, um território difícil nos Jogos Olímpicos. Em seis participações na prova, a “Freccia bionda” de Berbenno conquistou apenas um pódio: o bronze em PyeongChang 2018. Nas demais edições o percurso olímpico contou com resultados adversos — sexto lugar em Turim 2006, eliminação nas quartas em Vancouver 2010, desclassificações em Sochi 2014 e Pequim 2022 — e agora mais um quarto lugar em 2026.
Na mixed zone, visivelmente contrária ao desfecho, Arianna Fontana disse: “Sorrio para não chorar, estou muito arrabbiata. Quando entrei em contato estava certa de que podia avançar e assumir o comando. O meu objetivo era estar nas finais em todas as distâncias. Agora tenho de deixar essa raiva passar e pensar nas próximas provas”.
A patinadora descreveu o lance decisivo: “Acabou assim por causa de um contato com a chinesa. Justamente quando ia atacar a primeira posição, com boa velocidade, ela me empurrou e tive de recomeçar a corrida do zero. Recebi uma espécie de empurrão (‘sportellata’) e não consegui disputar as medalhas — isto me deixa muito triste. Procurei recuperar o gap, estava com uma grande perna, me sinto em progresso de prova para prova, não estou cansada”.
Esse episódio revela tanto a fragilidade do short track como espetáculo — onde cada toque pode decidir destinos olímpicos — quanto a persistência de um percurso atlético longo e desigual. Fontana, com suas 13 medalhas olímpicas, iguala o recorde histórico de Edoardo Mangiarotti em olimpiadas, e sua carreira permanece como um espelho das contradições do esporte: brilho continuado e resultados que, por vezes, escapam por detalhes.
Olhar para frente é imperativo: a italiana já direcionou o foco para a prova por equipes. “Agora cabeça na staffetta: voltamos ao Világgio com um gosto amargo, mas isso nos dará combustível extra para a prova de quarta-feira. Estamos todas a patinar bem, tenho confiança”, acrescentou Fontana.
Do ponto de vista histórico e competitivo, a noite dos 1000 m em Milano Cortina 2026 ilustra como o short track segue sendo uma prova de margens mínimas e dramas instantâneos — um palco onde a experiência não garante sempre o resultado, e onde a Itália busca traduzir tradição em medalhas através de adaptação tática e resiliência coletiva.





















