Após conquistar o duplo ouro olímpico, a estrela italiana Federica Brignone segue avaliando seu futuro no esqui. Ela passará por exames no J Medical, em Turim, para decidir os próximos passos, mas garante que a paixão pelo esporte ainda está viva.
Superando desafios e a sensação de vazio
Brignone compara sua atual fase à “solidão dos números primos”: mesmo depois de conquistar praticamente tudo, ela admite sentir-se esgotada física e psicologicamente. No entanto, a fadiga não é suficiente para considerar o fim da carreira.
«Agora vou ao J Medical para ver como estou e quais possibilidades tenho de continuar. Vou me proteger com as competições, porque a vida de atleta é meu maior escudo», disse a italiana.
O ouro em Cortina trouxe força para superar o recente período difícil após uma lesão: «Não fui para ganhar a medalha a qualquer custo, estava lá para dar o meu máximo. Existem coisas que não podemos controlar, mas sempre podemos decidir como reagir. Se eu tivesse reagido mal em 3 de abril do ano passado, a operação provavelmente não teria sido tão bem-sucedida, e talvez eu não estivesse aqui agora».
Recuperação e próximos passos
Para voltar a caminhar normalmente, Brignone precisaria de uma nova cirurgia, mas sua tibia ainda não permite a remoção do material cirúrgico. «Farei esses exames mais à frente. Agora, em Turim, vamos avaliar a força, a dor e tudo que preciso para decidir se volto a competir na próxima semana», explicou.
Seu objetivo para o restante da temporada é se qualificar para as finais da Copa do Mundo, com apenas três corridas disponíveis, mantendo a coragem que demonstrou em pista. Porém, afirma: «Não estou mais disposta a tomar medicamentos para esquiar. Nunca tomei muitos, mas agora quero viver tudo de forma mais leve».
Coragem, motivação e normalidade
Brignone reflete sobre a magnitude de suas conquistas: «Era um desafio impossível, tão difícil que eu não podia não aceitá-lo. Se fosse fácil, provavelmente não teria me motivado tanto. Queria provar a mim mesma que conseguiria voltar de algo realmente impossível. A maior conquista é enfrentar aquilo que nos assusta com coragem».
Além do esporte, a atleta deseja recuperar momentos de normalidade: «Uma das primeiras coisas que quero fazer é uma viagem, ficar fora quanto e onde quiser, sem compromissos. Meu sonho agora é continuar tendo minha vida intacta. Nunca vivi como uma celebridade; sempre fiz minhas coisas, de festas na cidade a tomar um café com amigas. Isso eu quero continuar vivendo».






















