Num domingo marcado por contratempos fora do estádio — sabotagens que atrapalharam viagens de alta velocidade e um São Valentim de televisão — a Atalanta acrescentou mais um capítulo à sua recuperação no Campeonato Italiano. Em Roma, os nerazzurri confirmaram uma vitória prática e sem adornos sobre a Lazio, 2 a 0, resultado que valeu o ultrapassagem do Como e a ocupação provisória do 6º lugar.
A história da partida é, em grande medida, a narrativa de um time que prefere a eficácia à estética. A primeira metade foi dominada pela organização adversária; a Atalanta sofreu pressão e viu um atacante substituído — Ahanor saiu e Kolasinac entrou — numa tentativa de readquirir equilíbrio. Foi justamente a partir desse reajuste que nomes como de Roon ganharam centralidade, permitindo à equipe retomar a régua do jogo e nivelar números e dinâmicas.
Os dois gols chegaram no entorno do intervalo: o primeiro, convertido por Ederson em cobrança de pênalti; o segundo, anotado por Zalewski. Entre uma chegada e outra, a sorte também sorriu em parte para os visitantes — uma bola na trave e dois postes mostraram que a superioridade territorial nem sempre se traduz em finalizações certeiras. Ainda assim, quando os domínios da partida esfriaram, a Atalanta assumiu o controle posicional, administrando a bola com cadência e, por longos trechos, praticando uma espécie de “torello” que empurrou a Lazio para jogadas de reação tardia e pouco substantivas.
O triunfo traz efeitos imediatos na tabela: com a derrota do Como diante da Fiorentina (1-2) e a vitória em Roma, o time de Bergamo superou os larianos — embora o Como ainda tenha um jogo a disputar, enfrenta o Milan na próxima quarta-feira e o cenário segue aberto a reviravoltas. Faltando 13 rodadas para o fim, a regularidade de Palladino pode ser determinante para consolidar uma vaga europeia, apenas uma linha acima do que costuma preparar o calendário continental.
Nem tudo foi causa para otimismo. No final da partida, a equipe sofreu um revés preocupante: o atacante Raspadori ressentiu-se do flexor esquerdo e precisou ser substituído — é a segunda baixa em sequência após a lesão de De Ketelaere. O timing é ruim: nas próximas semanas a Atalanta terá compromissos exigentes, incluindo dois duelos com o Dortmund, um confronto com o Napoli no meio e a ida da semifinal da Coppa Italia. A profundidade do elenco e a gestão física serão colocadas à prova.
Por fim, a impressão que fica é de um time que se reencontra naquilo que, no futebol contemporâneo, costuma decidir campeonatos: não apenas no talento, mas na capacidade de transformar momentos em pontos. A Atalanta hoje oferece um exemplo de pragmatismo — capacidade de sofrer nos primeiros 30 minutos, ajustar-se, golpear com precisão e depois controlar a partida. Não é espetáculo bruto; é resultado. E, em épocas em que a tabela dita destinos e estádios carregam memórias coletivas, esse tipo de vitória tem significado além do triplo.
Imagem para publicação: foto do time da Atalanta comemorando o segundo gol em Roma, com destaque para a troca de passes no segundo tempo que ilustra a gestão de bola citada no texto.






















