Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma jornada que mesclou êxitos individuais e episódios de tensão, a delegação italiana voltou a mostrar a sua cara nos Jogos de Milano Cortina. No dia 15 de fevereiro de 2026, a seleção conquistou quatro medalhas: dois ouros, uma prata e um bronze — resultados que dizem tanto sobre a qualidade técnica dos atletas quanto sobre a tradição esportiva que atravessa nossas regiões alpinas.
O ponto alto individual da noite foi a vitória de Federica Brignone no gigante, prova que reforça sua trajetória como uma das mais consistentes da elite do esqui alpino italiano. Na mesma sessão de sucesso, Lisa Vittozzi confirmou seu ótimo momento ao conquistar a medalha de ouro no tiro combinado do biathlon, disciplina em que a precisão e o controle emocional se revelam tão decisivos quanto a velocidade.
Houve ainda alegria coletiva: a dupla formada por Michela Moioli e Alberto Sommariva garantiu a prata no snowboard cross misto, uma prova que materializa o caráter progressivo e televisivo das competições mistas, e a equipe masculina de fundo subiu ao pódio com o bronze na staffetta 4×7,5 km, resultado que reitera a profundidade do nosso esqui de distância.
Nem tudo, porém, segue sem sobressaltos. Em Livigno, a noite foi amarga para o jovem Miro Tabanelli, que não conseguiu classificação para a final do big air de freestyle. Após um primeiro salto de alto nível (avaliado em 91 pontos), duas quedas comprometeram suas chances: a soma das melhores duas passagens é o critério, e o atleta de 2004 ficou fora do top 12 necessário para avançar. A final feminina, que terá a presença de sua irmã Flora e de Maria Gasslitter, será disputada amanhã às 19h30 em Livigno.
O mesmo dia trouxe preocupação com a séria queda do finlandês Elias Lajunen durante as eliminatórias do big air: o jovem de 18 anos bateu cabeça e costas contra a neve compacta após um trick mal sucedido. Socorrido pela equipe médica e removido de maca, Lajunen foi declarado consciente e movimentando braços e pernas segundo o comunicado da federação finlandesa; exames complementares serão realizados nas próximas horas.
Nos saltos de esqui em Predazzo, a norueguesa Anna Odine Str rm (Anna Odine Stroem) faturou o ouro no trampolim longo com 284,8 pontos, seguida pela compatriota Eirin Maria Kvandal (282,7) e pela eslovena Nika Prevc (271,5). Entre as italianas, Annika Sieff foi a melhor colocada, em 13.º com 239,3 pontos; Martina Zanitzer terminou em 25.º, enquanto Jessica Malsiner foi eliminada na primeira fase.
Em outras competições, Conti e Macii fecharam em oitavo lugar, e Ghilardi e Ambrosini em décimo — resultados que evidenciam a competitividade expressa, muitas vezes, por margens mínimas entre o sucesso e a possibilidade de pódio. Ainda no quadro coletivo, um placar de 9-5 garantiu uma vitória importante para os azzurri na fase de grupos, embora a equipe tenha sofrido derrotas diante da Alemanha e da Noruega, comprometendo momentaneamente a luta por uma vaga entre os quatro primeiros que avançariam às semifinais.
Esse 15 de fevereiro se apresenta, portanto, como um microcosmo do que são os Jogos: gestos de excelência, riscos que se materializam em quedas e episódios médicos que lembram a dimensão física extrema dessas modalidades. A Itália parte desta etapa com a certeza de desempenhos sólidos e a tarefa, sempre relevante, de consolidar talento e ex-periência para os dias que virão.






















