O Calcio Foggia atravessa mais um abalo estrutural e simbólico. Em menos de uma semana na função, Vincenzo Cangelosi deixou o cargo de treinador da equipe rossonera após a segunda derrota em outras tantas partidas, a mais recente um 0 a 1 sofrido em casa contra a Atalanta U23. A saída foi confirmada pelo próprio clube, que divulgou nota anunciando a renúncia do técnico.
Na nota oficial, o Calcio Foggia 1920 informou que “ao término da partida com a Atalanta U23, Mister Vincenzo Cangelosi, após uma atenta reflexão, pelo bem da sociedade e da cidade, apresentou sua demissão como responsável técnico da primeira equipa”. A formulação ecoa a intenção de preservar a imagem do clube, mas não oculta a gravidade do cenário esportivo e institucional.
A trajetória breve de Cangelosi no comando dos foggiani — menos de sete dias, duas partidas, duas derrotas — funciona como indicador de uma crise que é maior que um simples ciclo de resultados. As indiscrições que circulam na cidade apontam para um confronto agudo entre o treinador e a nova propriedade, liderada pelos empresários locais Gennaro Casillo e Giuseppe De Vitto, que haviam anunciado a contratação como o início de uma nova fase.
Figura ligada historicamente a Zdeněk Zeman — o arquiteto do lendário Foggia dos “milagres” —, Cangelosi foi chamado para tentar dar uma resposta imediata à crise que se aprofundou após o esonero de Enrico Barilari. Porém, o trabalho de curto prazo não teve tempo para produzir efeitos e o campo, mais uma vez, ditou um veredicto impiedoso: a equipa continua a mostrar fragilidade, nervosismo tático e pouca coesão, fatores que tornam cada partida uma batalha pela sobrevivência.
Do ponto de vista histórico e social, as sucessivas mudanças de comando técnico em Foggia não são apenas um problema futebolístico: refletem tensões sobre identidade, expectativas e gestão local. O clube, que carrega uma memória coletiva potente na região, convive com a contradição entre um passado de projeção nacional e um presente marcado por escolhas precipitadas e instabilidade administrativa.
Resta agora à direção encontrar um interlocutor capaz de estabilizar o grupo, recuperar confiança e, sobretudo, implementar um projeto que vá além da resposta imediata aos resultados. O relógio da temporada não perdoa: com a tabela comprometida, o espectro da rebaixamento torna-se uma possibilidade concreta e exige intervenção rápida e sustentada.
Para a cidade e para a torcida, a demissão de Cangelosi é mais um sinal de que a paciência se esgota. A decisão dos novos proprietários nos próximos dias — seja uma nomeação imediata, seja uma solução interina — dirá muito sobre a capacidade do clube de traduzir intenção em estabilidade.
Enquanto isso, Foggia permanece como um laboratório das contradições do futebol italiano contemporâneo: entre memória e urgência, entre paixão local e decisões de bastidores.
Data da notícia: 2026-02-15






















