Por Stella Ferrari — 13 de fevereiro de 2026
Entram em vigor novos aumentos no preço dos cigarros. Após os reajustes aplicados em meados de janeiro, que afetaram as marcas mais populares, agora a correção recai sobre vários produtos do grupo JTI, incluindo as Camel. A versão light em maço rígido sobe de €6,00 para €6,30, enquanto a versão em maço macio permanece em €5,80.
No documento publicado pela Agência das Alfândegas e dos Monopólios constam também valores atualizados para outras marcas: Winston a €5,80, American Spirit a €6,80, Glamour a €6,50 e Benson & Hedges a €5,50. Ajustes de alta atingem igualmente charutos e tabacos cortados: os Din Tomas Classico Robusto em humi-packs passam a €5,20, e os Rolls Red a €5,40.
Esses aumentos derivam das medidas previstas na lei orçamentária e, segundo estimativas oficiais, devem gerar aproximadamente €900 milhões adicionais para o Tesouro já em 2026 — num universo de receitas anuais do setor que gira em torno de €15 bilhões. Em termos de política pública, trata-se de uma recalibragem fiscal que aciona os freios fiscais sobre um bem com externalidades elevadas para o sistema de saúde.
Importante observar que permanecem excluídos desta rodada de correções os produtos de tabaco aquecido, como o Terea — um segmento no qual as multinacionais estão concentrando investimentos significativos e que, por ora, opera com regras tributárias distintas.
O debate político e sanitário, porém, está longe de ser encerrado. A Associação de Oncologistas tem defendido aumentos muito mais expressivos, de até €5 por maço, como forma de internalizar os custos de saúde associados ao consumo de tabaco. Numa perspectiva sistêmica, propostas desse tipo fariam a sin tax atuar como um mecanismo de última instância para reduzir consumo e financiar despesas médicas.
Também se manifestou o presidente da Sociedade Italiana de Medicina Ambiental (SIMA), Alessandro Miani: «Se a intenção é aumentar tributos sobre bens nocivos, convém adotar uma abordagem mais ampla, incluindo uma gama maior de produtos potencialmente danosos. Em outros países, a sin tax foi aplicada com sucesso a bebidas alcoólicas fortes e refrigerantes açucarados, reduzindo consumo e elevando receitas destinadas a custos sanitários.»
Do ponto de vista econômico, essa medida é uma calibragem na política fiscal que busca equilibrar entrada imediata de receita e efeitos comportamentais no consumo. Como estrategista, observo que a ação funciona como um ajuste do “motor da economia”: aumenta receita corrente do Estado, mas ao mesmo tempo acelera tendências de migração do consumo para produtos alternativos ou contrabando, exigindo monitoramento e políticas complementares.
Fato é que o mercado e a saúde pública se encontram numa curva de trade-offs: elevar preços oferece ganhos fiscais e sanitários, mas demanda um desenho de políticas que inclua fiscalização, campanhas de prevenção e alternativas regulatórias para novos produtos.
Stella Ferrari — Economista sênior, Espresso Italia


















