Cesc Fàbregas, técnico da Como, não poupou palavras ao comentar a expulsão de Álvaro Morata no confronto Como-Fiorentina disputado no último fim de semana. A partida, marcada por um final tenso, terminou com a expulsão do atacante espanhol, que recebeu duas advertências após um bate-boca com Ranieri e acabou sendo substituído antes do apito final.
Do ponto de vista tático e emocional, a leitura de Fàbregas foi direta: a provocação integra o tecido do futebol moderno e quem não sabe administrar esse tipo de situação talvez deva considerar outra profissão. “A provocação faz parte do futebol; quem não vive a provocação deve fazer outro trabalho”, afirmou o treinador catalão, fenômeno tanto pela trajetória como jogador quanto pela experiência acumulada em clubes europeus de ponta.
Fàbregas enfatizou que a cobrança recai com maior intensidade sobre atletas de maior experiência, lembrando que Morata, com passagens por Juventus e Milan, deveria ter um comportamento diferente em momentos decisivos. “Ele é um jogador experiente, eu espero mais dele porque a linha entre vencer e perder é muito fina. Não gosto de álibis. É preciso fazer o seu jogo e não se deixar levar pelo que dizem os outros”, disse o técnico.
O incidente que inflamou a partida envolveu ainda uma possível mão de Mandragora na área, não sancionada nem pelo árbitro nem pelo VAR, e que contribuiu para o clima acalorado no fim do jogo. A sequência foi decisiva: no calor do confronto, Morata recebeu duas amarelos — o segundo fruto de um desentendimento com Ranieri — e foi expulso, o que lhe custará a ausência na partida contra o Milan em San Siro marcada para 18 de fevereiro.
Fàbregas fez também uma autocrítica sobre a atuação coletiva: “Erramos na atitude. Precisamos entrar com outra energia, mandar uma mensagem desde o início, mostrar vontade de atacar com mais agressividade e ter serenidade para executar o nosso jogo. O primeiro tempo não me agradou; no segundo, quase não se jogou.”
Como observador atento das dinâmicas que estruturam o futebol italiano, é impossível dissociar o episódio de uma tradição cultural em que o confronto verbal é quase ritual — parte da guerra psicológica que define o espetáculo. Ainda assim, existe um descompasso quando a experiência individual compromete o coletivo: a expulsão de um camisa de peso não é apenas um fato disciplinar, é um reflexo das pressões que atravessam clubes e jogadores neste estágio da temporada.
Para Como, resta recuperar a compostura e a clareza tática antes do duelo seguinte; para Morata, a ausência forçada em San Siro será um teste sobre responsabilidade e gestão emocional. No total, o episódio reforça que, além dos sistemas e das formações, o futebol continua a pedir, de seus protagonistas, maturidade para gerir a provocação sem perder o papel dentro do coletivo.






















