Uma virada abrupta no roteiro que vinha moldando a temporada do Vicenza. No estádio Menti, diante de 10.534 espectadores, o Alcione Milano venceu por 1-0 e pôs fim a uma série de invencibilidade de 58 partidas dos biancorossi — um número que havia se tornado referência no campeonato. O gol decisivo saiu nos instantes finais: Plescia, no 47º minuto do segundo tempo, apareceu no segundo poste para completar o cruzamento de Pitou e selar a derrota do Lane.
O primeiro tempo foi de claro predomínio do Vicenza, porém sem o refinamento necessário na área adversária. Ainda nos minutos iniciais, Rauti obrigou Agazzi a uma intervenção, Sandon finalizou de fora com desvio perigoso e Morra não alcançou por pouco um cruzamento que pedira gol. O Alcione Milano demonstrou capacidade de compactação defensiva e jogadas de transição: Gagno precisou segurar um cabeceio de Galli para evitar surpresa antes do intervalo. Assim, as equipes foram ao vestiário empatadas sem gols, com o Vicenza mais propositivo, mas impreciso nos últimos 16 metros.
Na etapa final, o Lane voltou com energia. Morra quase abriu o placar de cabeça e Agazzi manteve-se firme com outra defesa importante. O treinador Fabio Gallo buscou reforçar o time com alterações; seu homólogo Cusatis também mexeu, mudando a fisionomia ofensiva do adversário. O Vicenza empilhou bolas na área e chegou a assustar — com desarmes e desvio do goleiro e uma girada de Capello que fez a Curva Sul vibrar —, mas perdeu brilho à medida que o relógio avançava.
Quando parecia que o empate seria o desfecho natural, veio a surpresa: em um contra-ataque perfeito do Alcione Milano, Pitou cruzou da esquerda e Plescia apareceu livre para fazer 1-0, no ápice do tempo de acréscimo. O golpe que interrompeu a longa invencibilidade teve efeito simbólico mais do que prático — o Vicenza segue na liderança e favorito à promoção —, mas tem impacto emocional e narrativo: pela primeira vez em 58 partidas, os torcedores biancorossi experimentaram o amargor de uma derrota.
Ao soar do apito final, a Curva Sul aplaudiu a equipe, em gesto que diz muito sobre identidade e paciência de uma torcida acostumada a associar o clube a uma ideia de destino vitorioso. Ainda assim, a manchete mudou: o campeonato passa a ter uma nova linha na sua história, e a longa sequência do Lane deixa de ser inviolável.
Ficha técnica
VICENZA (3-5-2): Gagno; Cappelletti, Leverbe, Sandon; Caferri, Zonta (66′ Pellizzari), Carraro, Alessio (58′ Vitale), Talarico (58′ Tribuzzi); Rauti (66′ Stuckler), Morra (74′ Capello). Reserva: Basso, Massolo, Golin, Cuomo, Vescovi, Benassai, Costa, Cavion, Rada. Treinador: Gallo.
ALCIONE MILANO (4-3-2-1): Agazzi; Pirola, Ciappellano (73′ Chierichetti), Giorgeschi, Scuderi; Muroni, Galli, Invernizzi (81′ Renault); Bright (73′ Plescia), Pitou; Tordini (73′ Olivieri). Reserva: Raffaelli, Lanzi, Rebaudo, Lopes, Marconi, Gallazzi. Treinador: Cusatis.
Árbitro: Di Loreto. Cartões amarelos: Cappelletti (LRV), Agazzi (ALC). Escanteios: 9-4. Acréscimos: 2′ primeiro tempo, 4′ segundo tempo. Público: 10.534.
Gol: 47′ st Plescia (Alcione Milano).
Do ponto de vista mais amplo, esta partida confirma uma realidade do futebol moderno: as sequências e narrativas se sustentam tanto na qualidade quanto no momento psicológico das equipes. A queda do Vicenza no Menti não apaga o mérito de sua campanha, mas reintroduz incerteza e tensão em uma reta final de campeonato onde cada episódio passa a ser interpretado como possível inflexão de destino.





















