Foi um resultado que tem mais significado do que o simples placar. No San Nicola, o Südtirol saiu de Puglia com uma vitória por 2 a 1 sobre o Bari que redesenha, com clareza, a trajetória da equipe de Maso Ronco nesta fase da temporada. Mais que três pontos, o triunfo consolida uma sequência de sete jogos sem derrota — quatro vitórias, dois empates e este triunfo — e abre espaço para um novo horizonte: agora os biancorossi têm +11 de vantagem sobre a zona de descenso e estão a -4 da zona de playoff.
O triunfo nasce sobretudo de uma leitura tática precisa do treinador Castori. Após um primeiro tempo no qual o Südtirol mostrou boa intensidade e controlou boa parte do jogo sem transformar essa superioridade em gols, o treinador acertou as substituições logo no início do segundo tempo, com as entradas de Tait e Merkaj. Ao 48′, um cruzamento bem trabalhado de Tait criou a ocasião: Casiraghi finalizou, o goleiro defendeu, e Merkaj apareceu no rebote para empurrar para a rede — o movimento coletivo premiado no momento certo.
O jogo, porém, teve reviravoltas. O empate do Bari nasceu de um episódio infeliz para os visitantes, com um autogolo de Manè, e a pressão dos anfitriões resultou também na marcação de Rao, que acabou sendo insuficiente para impedir a derrota. Assim, o placar final de 2 a 1 traduz uma partida intensa, disputada em setores médios do campo e decidida nos detalhes.
Antes do intervalo, o Südtirol já havia deixado sinais da sua superioridade: um início de jogo com pressão alta, que obrigou o Bari a recuar, diversas investidas pela faixa esquerda — com destaque para as ações de Simone Davi, recuperado em cima da hora e utilizado pelo técnico — e chances claras, como o cabeceio de Pecorino mal aproveitado e o chute de Molina que por pouco não abriu o placar. A amostragem do primeiro tempo foi suficiente para confirmar que a equipe alto-atesina vinha com argumentos sólidos e organização para somar fora de casa.
Não é só um triunfo isolado. É uma confirmação de que o projeto defensável, a disciplina tática e o manejo do elenco por parte de Castori estão produzindo resultados concretos. A suspensão que se avizinha — Kofler recebeu amarelo e está em risco de desfalcar a equipe contra o Palermo — é um lembrete das fragilidades que ainda existem, mas não apaga o que foi construído: a sensação, agora mais palpável, de que a permanência na categoria já não é um objetivo distante, e que os playoffs deixaram de ser uma quimera impossível.
Para o Bari, a derrota é um golpe que evidencia limitações na gestão dos momentos da partida e a dificuldade em converter ocasiões em gol quando confrontado com uma equipe taticamente coesa. Para o Südtirol, a leitura é outra: apropriar-se de partidas com personalidade, gerir a pressão e manter a regularidade. Em termos históricos e sociais, é também a confirmação de um clube regional que, ao fortalecer sua identidade e instituição, transforma uma luta por sobrevivência em narrativa de ambição.
Restam jogos, e a aritmética ainda exige prudência. Mas, por agora, a equipe de Maso Ronco pode, com alguma razão, começar a sonhar — não com excessos, mas com um crescimento sustentado que já se manifesta em campo.






















