A Dolomiti Energia Trento escolheu o pior momento possível para se apagar: perdeu em Cantù por 108-91 e chega com gosto amargo à pausa de três semanas do campeonato. O resultado não é só um revés esportivo; é um recado sobre fragilidade coletiva num momento em que se esperava consolidar o ritmo após três vitórias seguidas no campeonato e a classificação aos playoffs da Eurocup.
O triunfo do anfitrião teve também um aspecto simbólico: foi, em certa medida, a revanche pela surra sofrida no PalaTrento, quando Cantù venceu por 109-69. A vingança, desta vez, veio com autoridade e com a impressão de que a partida nunca esteve realmente em dúvida após o primeiro quarto e meio.
No início o confronto parecia equilibrado. No primeiro quarto as equipes se mediram de frente, com Aldridge respondendo às iniciativas locais, e Trento pontuando com bolas de longa distância de Battle e Jogela. Aos primeiros dez minutos o marcador mostrava 19-24. A igualdade reapareceu cedo no segundo período, e a partida manteve alguma tensão até que Cantù conseguiu um primeiro avanço consistente, fechando o intervalo em 58-46.
O terceiro período foi o momento em que a máquina brianzola impôs ritmo. Pareceu que a equipe visitante havia ficado nos vestiários: Cantù abriu vantagem até 68-54 antes da metade do quarto, e a partir daí as esperanças de reação da Aquila foram sendo soterradas. Um esforço isolado de Jakimovski, autor de 19 pontos e melhor marcador de Trento, não foi suficiente para contrabalançar o volume ofensivo e a coesão defensiva dos donos da casa.
O treinador Cancellieri ainda tentou parar o jogo em diferentes momentos — inclusive quando a diferença era de 73-59 e mais tarde aos 92-73 —, mas as chamadas não mudaram o curso. No último período a vantagem chegou a dígitos ainda mais eloqüentes; Cantù ultrapassou os 100 pontos com mais de seis minutos por jogar, selando uma noite para o esquecimento de Trento. Além de Jakimovski, apenas Battle (17 pontos) ofereceu alguma resistência ofensiva digna de nota.
Em termos mais amplos, o resultado coloca a Dolomiti Energia diante de um período obrigatório de reflexão. A pausa de três semanas será menos um descanso e mais um espaço para corrigir rotas: ajustar rotinas físicas, rever mecanismos defensivos e trabalhar a mentalidade coletiva. Estádios e partidas contam histórias sobre identidades regionais e estruturas de clubes; esta derrota, para Trento, é um ponto de inflexão que pode expor fragilidades de projeto ou, se bem interpretado, servir de motor para reequilíbrio.
Do lado de Cantù, a vitória reabilita a memória da humilhação anterior e devolve confiança ao grupo. Para Trento resta a urgência de transformar a pausa em obra produtiva, evitando que o episódio se transforme em narrador de um possível declínio em vez de um impulso para a retomada.
Placar final: Cantù 108 – 91 Dolomiti Energia Trento. Destaques individuais: Jakimovski (19) e Battle (17).


















