Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Uma partida com dois rostos: foi preciso que a Virtus vencesse duas vezes para garantir os dois pontos no placar. No início, um domínio quase absoluto; no final, sustos e tensão até o último arremesso — uma tripla decisiva de Vildoza fechou em 90-86 contra Udine, consolidando a permanência dos bianconeri no topo da tabela.
O triunfo, que dá fôlego à equipe antes das Final Eight da Coppa Italia em Turim, não foi construído apenas em um instante heroico: houve a combinação da mão firme de Edwards, autor de 22 pontos, a direção de Vildoza com 13 e a presença física de Diouf, que somou 15 pontos. Juntos, formaram a resposta a uma partida que ameaçou escapar dos donos da casa na segunda metade.
O primeiro quarto da Virtus foi de escola: um 9-0 inicial, com impulso de Diouf, seguido por cestas de longa distância de Edwards, Vildoza e Jallow, resultando num 22-4 que parecia prenunciar uma exibição tranquila diante da torcida. No primeiro intervalo os campeões já haviam dobrado o adversário (31-15) e, pouco depois, a tripla de Alston elevou a vantagem a +20.
Foi então que a narrativa do jogo mudou. Aquela segurança começou a se fissurar: no momento em que o placar marcou 39-27, o técnico Ivanovic pediu tempo, mas o pedido não surtiria o efeito esperado. Udine encontrou ritmo e reduziu o prejuízo; ao intervalo longo, o visitante havia feito 34 pontos em apenas dez minutos e mantinha-se vivo em 54-49.
Na volta do vestiário, foram minutos de apreensão. A Virtus seguia anotando, mas cedia mais do que marcava — para cada dois pontos seus, permitia três do oponente — e teve a sorte de ver Udine falhar arremessos cruciais que poderiam ter emparelhado a partida. Ainda assim, o terceiro quarto terminou com sensação de que o controle havia sido retomado (70-59), embora a vantagem se tornasse frágil com a queda do aproveitamento nas bolas de três pontos.
O período final foi um compêndio de nervos. Udine voltou a encostar (73-71); uma bola de três de Edwards parecia abrir caminho, mas a consistência ofensiva não veio. Com o placar em 87-86 e apenas 34 segundos no relógio, a partida estava em aberto. Foi aí que Vildoza assumiu o papel de artista e, com uma tripl a final, selou o 90-86, premiando a tentativa de superação da equipe e poupando a torcida bianconera de um revés doloroso.
Mais que estatísticas, o que essa vitória revela é a dualidade que vive um clube que se afirma no plano nacional e, ao mesmo tempo, convive com a pressão de expectativas internas. Estádios como o palco desta partida não são apenas espaços de disputa; são equipamentos de memória coletiva, onde se mede a capacidade de uma instituição de responder em momentos decisivos. Agora, a próxima parada é a Inalpi Arena, em Turim, onde a Virtus enfrentará o Napoli nas quartas das Final Eight, numa tentativa de transformar aspirações de propriedade num troféu que há tempos alimenta sua ambição.
Ficha rápida: Virtus — 90 (Edwards 22, Diouf 15, Vildoza 13); Udine — 86. Jogo marcado pela alternância de domínio, pela resistência visitante e pela resolução de um jogador experiente no minuto decisivo.






















