Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Fortitudo confirmou sua segunda vitória consecutiva fora de casa ao bater a Crifo Wines Ruvo di Puglia por 90-83, em partida que confirma uma mudança de rumo no momento da equipe e reafirma sua vocação competitiva mesmo distante do PalaDozza. O resultado aproxima o time da liderança: Pesaro mantém a ponta, mas a vantagem caiu para apenas uma vitória.
O triunfo, selado por um desempenho monumental de Sorokas e pela melhor exibição de Imbrò na temporada, foi doloroso e merecido. A equipe visitante converteu 90 pontos em quadra adversária num duelo intenso, em que foram tentadas 44 bolas de três — número que por si já merece verificação nos arquivos do clube — e que, com 34% de aproveitamento, resultou em 15 acertos de longa distância, distribuídos entre cinco jogadores diferentes. Curioso e sintomático: nem Sarto nem Della Rosa compuseram esse cômputo, acumulando um alarmante 0/12 ao aro; ainda assim, a equipe resistiu e prosperou.
Na análise táctica, a Flats mostrou-se confortável no famoso “corri e atira”: Perkovic encaixou-se bem nesse ritmo, tornando-se elemento-chave para abrir espaços e forçar decisões precipitadas do adversário. Mas a narrativa do jogo foi, sem dúvida, a recuperação emocional e desportiva proporcionada por Imbrò, cuja bola de três no momento decisivo rompeu o equilíbrio e permitiu à Fortitudo gerir os últimos segundos com calma.
A Crifo Wines não foi um mero figurante. Liderada por um arranque avassalador de Russ Smith — criticado no início da passagem por Ruvo, mas autor de 13 pontos nos primeiros 4 minutos — e por um veterano como Borra (5/5 nos arremessos e 7 rebotes), a formação pugliese travou duelo corpo a corpo com os visitantes. Anumba, no capítulo ruvense, explorou a rivalidade familiar contra o homónimo da Fortitudo e deixou sua marca com 4/5 nos tiros.
O desenrolar do último período foi um turbilhão de mudanças na liderança: Musso colocou os donos da casa na frente (78-77), Sorokas respondeu (78-79), Borra voltou a pôr a Crifo na frente (80-79), e novamente Sorokas escreveu 80-81. Ainda houve espaço para alternativas: Smith 82-81, Fante 82-83. Aos 35 segundos do fim, Brooks converteu apenas um lance livre para empatar em 83-83; foi então que Imbrò cravou a tripla que partiu a partida. Um turnover de Smith e a expulsão de Rajola cercaram o fim, com a Fortitudo controlando a vantagem nos lances livres finais.
Do ponto de vista coletivo, há lições imediatas: a equipe aprendeu a suportar a pressão em deslocamento, a gerir altos volumes de arremessos externos sem se desesperar e a acionar suas figuras em momentos de alta tensão. Se a leitura for ampliada, trata-se de um sinal de estabilidade: clubes que conseguem transformar dificuldades em rotinas de vitória fora de casa começam a construir memória coletiva, algo que reverbera na cidade, na relação com a torcida e na projeção institucional.
O técnico Caja sintetizou bem: “Colocamos atenção. Ruvo entrou com grande energia, especialmente no começo, mas nunca nos desunimos e soubemos gerir os últimos lances”. A frase aponta para um equilibro mental que talvez explique a sequência vitoriosa longe de casa.
A próxima parada é domingo, no PalaDozza, contra a Rieti. Será a oportunidade de avaliar se a maré realmente mudou ou se as vitórias fora são episódios pontuais. Para a cidade e para o clube, porém, a vitória em Ruvo representa mais que dois pontos: é um lembrete de que times com história encontram sempre modos de reagir.
Placar final: Crifo Wines Ruvo di Puglia 83 – Fortitudo 90.















