Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um evento promocional da Betsson ao lado de nomes que fazem parte da memória recente do futebol italiano, como Roberto Baggio e Fabio Cannavaro, Francesco Totti deu à imprensa uma declaração que reacende debates sobre identidade, memória e funções institucionais nos clubes: abriu à possibilidade de um retorno à Roma.
O ícone giallorosso, hoje testimonial da campanha da Betsson, confirmou ter discutido recentemente o assunto com o técnico Gian Piero Gasperini. «Sim, com o mister nos vimos a jantar, estamos conversando, discutindo e avaliando algumas situações. Vamos ver o que será possível fazer. Não me peçam para dizer mais», disse Totti, preservando o caráter exploratório das conversas e evitando antecipar qual poderá ser seu eventual papel.
A declaração tem um duplo valor. Por um lado, reafirma o vínculo afetivo e simbólico entre Totti e a cidade de Roma — vínculo que ultrapassa funções técnicas e faz parte da memória coletiva do clube. Por outro, revela a prudência institucional de um clube e de um profissional que ponderam quando e como transformar capital simbólico em responsabilidades concretas dentro da estrutura desportiva.
Não houve, nas palavras do ex-capitão, promessa nem plano definido; houve uma abertura. Dado o perfil de Gasperini — reconhecido por seu trabalho de formação de sistemas coletivos e de valorização de jogadores dentro de um esquema tático bem definido — a hipótese colocada em campo é interessante: que tipo de contribuição pode oferecer um ex-número dez cuja autoridade é sobretudo cultural e simbólica? Diretor técnico, embaixador institucional, coordenador de formação, ou um papel híbrido que associe presença pública e trabalho nas categorias de base são opções que, no contexto italiano, têm precedentes e controvérsias.
Em um lance de nostalgia cautelosa, Totti também afirmou que teria gostado de ser treinado por José Mourinho, elogiando sua capacidade de gerir grupos e de criar um ambiente onde o elenco se sinta confortável — um reconhecimento à autoridade técnica e ao manejo dos aspectos humanos do treinador português.
O ex-camisa 10 não limitou sua intervenção ao futebol: estendeu comentários às Olimpíadas de Milano-Cortina, elogiando a esquiadora Sofia Goggia e, especialmente, Federica Brignone — mencionando que «a cabeça é tudo» quando um atleta retorna à pista após uma lesão. A observação, curta, conecta a lógica do esporte profissional ao aspecto psicológico da recuperação e do retorno à competição.
O episódio — um encontro entre gerações do futebol italiano e a confirmação de conversas com a Roma — coloca novamente Totti no centro de uma narrativa que é, antes de tudo, coletiva. Em clubes como a Roma, a gestão da memória e do símbolo é parte integrante das decisões técnicas: integrar figuras históricas exige equilíbrio entre respeitar o passado e reformular funções para o presente.
Fica a pista: foram apenas conversas e um jantar. Mas, na Itália do futebol, conversas entre antigas glórias e direções técnicas frequentemente são o primeiro ato de mudanças que reverberam além do campo — na cidade, na torcida e na própria identidade do clube.
16 de fevereiro de 2026





















