Por Chiara Lombardi — Espresso Italia
De 13 a 15 de fevereiro de 2026, Genova voltou a se colocar como um ponto de encontro essencial no mapa artístico italiano com a vigésima edição da ArteGenova, a mostra-mercado que ocupa o Padiglione Blu do quartiere fieristico. Celebrar duas décadas não é apenas soprar velas: é reescrever, em curadoria e mercado, o roteiro oculto da sociedade que a feira revela.
Com 150 expositores vindos da Itália e do exterior, a edição confirma a capacidade do evento de traduzir o passado recente e os sinais do presente. O público encontra aqui um diálogo contínuo entre mestres do século XX e protagonistas da contemporaneidade: do magnetismo formal de Picasso à tensão espacial das famosas espirais de Roberto Crippa, passando pela textura dramática de Emilio Scanavino e pela atmosfera metafísica de Giorgio De Chirico. Essas presenças não são meras citações históricas, mas lembretes do quanto a grande pintura do século passado ainda molda a paisagem de colecionadores e leilões.
Mais interessante que a reunião de nomes consagrados é a escolha curatorial de ampliar o espectro para além da tela: a feira expande seu olhar para escultura, fotografia e arte digital. Essa aposta transforma a feira em um espelho do nosso tempo — onde as superfícies pictóricas conversam com objetos tridimensionais, imagens fotográficas e experiências digitais. A diversidade de linguagens anualizada em ArteGenova funciona como um pequeno hub, um eco cultural que propõe perguntas sobre memória, técnica e mercado.
Os resultados do mercado em 2025, ainda frescos na memória dos galeristas, colaboram para a relevância do evento: a pintura mantém seu protagonismo, mas a inclusão formal de novas disciplinas sinaliza uma reconfiguração do colecionismo. A feira, assim, deixa de ser apenas um lugar de compra e venda para se afirmar como arena de debate, com um programa rico em conferências, encontros e performances que ampliam a experiência do público.
Vinte anos depois, ArteGenova demonstra que tradição e contemporaneidade não são opostos, mas camadas de um mesmo arquivo cultural. Em uma cidade historicamente ponte entre Mediterrâneo e Europa, a feira reconstrói um roteiro em que Genova se reafirma como um dos polos mais dinâmicos do mercado artístico italiano — não por nostalgia, mas por capacidade crítica e inventiva.
Para quem circulou pelo Padiglione Blu, a impressão é a de ter assistido a um mosaico em movimento: obras que reescrevem nossa biografia estética, conversas que traçam novos marcos de valor e exposições que, como um bom filme, deixam perguntas que persistem muito depois dos créditos finais.






















