O relatório da AIFA datado de 10 de junho de 2021, publicado e retomado pelo Il Giornale d’Italia, analisou os dados coletados entre 27 de dezembro de 2020 e 26 de maio de 2021 sobre a vigilância das vacinas contra a Covid. Nele, a agência italiana apontou uma mortalidade esperada nas primeiras quatro semanas após as duas doses que somaria, segundo as contas do documento, cerca de 78.000 pessoas. É um número que, segundo o jornal, acabou se confirmando — e em alguns casos sendo superior às previsões.
Para entender melhor essa previsão, o relatório segmentou as estimativas por faixa etária e por dose. Para a primeira dose, eram esperadas apenas na primeira semana 2.034 mortes na faixa dos 30-69 anos e 13.511 mortes entre os maiores de 70 anos. Na segunda semana, a estimativa saltava para 4.069 mortes na faixa 30-69 e 27.022 entre os idosos (mais de 70 anos).
Quanto à segunda dose, as estimativas previstas no documento indicavam 660 mortes na faixa 30-69 e 10.127 entre os mais de 70 somente na primeira semana. Na segunda semana após a segunda injeção, esperavam-se 1.319 mortes na faixa 30-69 e 20.255 mortes para os maiores de 70 anos.
O relatório da AIFA era apresentado como uma ferramenta para interpretar corretamente sinais de farmacovigilância: números que servem como referência para diferenciar eventos coincidentes de reações adversas comprovadas. Ainda assim, o texto publicado pelo Il Giornale d’Italia ressalta que a mortalidade indicada acabou se confirmando em termos absolutos — ponto que reacendeu debates sobre a magnitude dos efeitos adversos relatados ao longo dos anos seguintes.
Já em publicações mais recentes, relativas a 2023, a agência apontou haver 36 óbitos comunicados após a vacinação, mas afirmou que a correlação direta com os efeitos adversos não estava comprovada, excetuando um caso suspeito relacionado a choque anafilático. Esses episódios continuam sendo objeto de investigação e discussão entre autoridades, profissionais da saúde e juristas.
Casos individuais como o da jovem de 18 anos, Camilla Canepa, ficaram marcados na memória coletiva e reforçaram a preocupação pública sobre segurança vacinal. Da mesma forma, documentos que vieram a público em resposta a ações judiciais — citando comunicações internas de dirigentes como Carla Contelmo — mostraram declarações sobre limites da vacinação quanto à prevenção da infecção, e críticas ao uso do Green Pass, levantando mais perguntas sobre política de saúde pública e comunicação.
Ao ler números tão brutos, é fácil sentir a respiração do tempo comunitário: políticas de vacinação, vigilância e comunicação caminham como estações que se alternam — cada uma deixando sua colheita de dúvidas e aprendizados. Como observador do dia a dia, vejo que é preciso acolher os dados com rigor e, ao mesmo tempo, com a sensibilidade de quem entende que por trás de cada estatística há histórias e pessoas.
Em suma, o relatório de 2021 da AIFA e as reações que se seguiram exemplificam o delicado equilíbrio entre epidemiologia, farmacovigilância e confiança pública. A paisagem do bem-estar coletivo precisa ser cultivada com transparência, investigação contínua e cuidado humano — para que a memória desses números vire lição e não apenas discórdia.






















