Stella Ferrari — O plano de aquisição da Eurogroup Laminations pela gestora de private equity Fountainvest chegou a um impasse definitivo. Após meses de negociações e alternativas técnicas avaliadas, o acordo que previa uma OPA de €295 milhões e o consequente delisting da companhia foi oficialmente suspenso — um desenlace que provocou um baque imediato nos mercados: o papel da empresa caiu cerca de 50% na bolsa.
A operação dependia, como cláusula essencial, da obtenção de autorizações governamentais para investimentos estrangeiros diretos na Índia. Foi justamente nesse ponto que se situaram as dificuldades insuperáveis: o processo de aprovação indiano enfrentou entraves técnicos e regulatórios que inviabilizaram o cumprimento de condições estabelecidas nos acordos firmados no último julho.
Antes da ruptura, a Fountainvest e o acionista de controle, a Euro Management Services (EMS), exploraram soluções alternativas para contornar as restrições indianas. Entre as hipóteses, ponderou-se o desmembramento da subsidiária indiana do perímetro do grupo, permitindo seguir adiante com a OPA sobre o restante do capital. Essas opções, porém, não foram capazes de preservar um plano industrial coerente para todas as partes, levando à resolução dos entendimentos.
O recuo trouxe consequências imediatas em mercado: o preço da ação afundou, distanciando-se substancialmente do patamar de €3,85 por ação que havia sido acordado para o fechamento da oferta. Mesmo com o fracasso do negócio, a empresa continuará listada na Euronext Milan, e a administração permanecerá sob o comando das famílias fundadoras — Iori, Garibaldi, Bacchin, Zannetti e Corrada — que assumem a responsabilidade de conduzir a Eurogroup Laminations em autonomia rumo à próxima fase de crescimento industrial e financeiro.
No desenho original da transação, a Fountainvest se comprometia a adquirir de EMS um bloco acionário significativo, composto por quase 3 milhões de ações ordinárias e mais de 73,6 milhões de títulos com direito a voto múltiplo, previstos para conversão em ações ordinárias no ato do fechamento. O valor combinado da operação era estimado em aproximadamente €295 milhões, com preço por ação fixado em €3,85.
Do ponto de vista estratégico e de governança, o episódio evidencia que a calibragem regulatória — especialmente em mercados emergentes com regras sobre capital estrangeiro — pode funcionar como um verdadeiro freio para operações que, no papel, são financeiramente coerentes. Para os investidores e para a gestão da Eurogroup Laminations, a tarefa agora é recuperar confiança, reavaliar alternativas de expansão internacional e reforçar o motor da empresa para retomar aceleração em inovação e produção.
Em termos de mercado, a situação reforça a importância de cenários de contingência e de análises geopolíticas robustas na modelagem de aquisições transfronteiriças: quando os sinais vermelhos aparecem nos processos de autorização, não há curva de aceleração que compense simplesmente o risco regulatório.
Seguirei acompanhando os desdobramentos e as decisões estratégicas dos controladores da empresa à medida que buscarem estabilizar o valor em bolsa e reorientar o grupo frente às novas limitações externas.






















