Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes.
A Procuradoria de Milão solicitou ao juiz de garantias a prorrogação por mais seis meses das investigações envolvendo Paolo Fiorentino, ex-amministratore delegato da Banca Progetto. A requisição, da qual obtivemos cópia, aponta que Fiorentino é investigado por associação para delinquir, fraude agravada, falso em demonstrações financeiras e falência fraudolenta.
Além de Paolo Fiorentino, constam como indiciados outros sete ex-dirigentes da instituição, todos antigos membros da alta direção do banco. Enquanto a investigação em Milão segue em curso, um extenso relatório reservado da Banca d’Italia foi remetido à Procuradoria de Roma, sob a responsabilidade do procurador adjunto Giuseppe Cascini. O documento encerra a fase de istruttoria e detalha, de forma rigorosa, o papel desempenhado por Fiorentino até sua renúncia ao cargo, ocorrida no final de fevereiro de 2025.
Os inspectores de Palazzo Koch emitiram avaliações severas sobre a gestão. A inspeção concluiu que havia graves irregularidades no processo de crédito e uma marcada subestimação do risco do portfólio de empréstimos. Segundo o relatório, em consequência das verificações, registraram-se perdas patrimoniais significativas: os fundos próprios caíram de 296 milhões para 184 milhões em 31/12/2014.
O documento da Banca d’Italia critica, em especial, o modelo de crescimento promovido pelo então diretor-executivo. “Fiorentino promoveu um modelo de crescimento não prudente, pautado por um acentuado aumento de volumes sem adequados reforços dos presídios“, afirmam os inspetores, que ainda registraram que o ex-CEO minimizava o deterioramento da qualidade dos ativos, apoiando-se na suposta cobertura por garantias públicas.
A fiscalização apontou falhas sistêmicas: o conselho de administração foi qualificado como insatisfatório por ter, recorrentemente, endossado as práticas da diretoria; o colégio sindacale demonstrou insuficiências em suas funções de vigilância; e os mecanismos de controle — risk management e internal auditing — mostraram-se inadequados.
Quanto ao processo de crédito, foram detectadas carências em todas as etapas: instrução, monitoramento, classificação e avaliação da recuperabilidade dos créditos. A UIF (Unidade de Informação Financeira) já havia comunicado reiterados alertas sobre lacunas nos controles antilavagem, sem que a instituição tivesse cumprido os deveres de colaboração. Foram ainda identificadas fragilidades nos controles sobre a destinação dos financiamentos imobiliários.
Em consequência das irregularidades, a Banca d’Italia procedeu ao início de ações sancionatórias contra a Banca Progetto e contra funcionários envolvidos. As acusações administrativas incluem omissão de comunicações sobre operações suspeitas, deficiências organizacionais e operacionais, falhas nos procedimentos internos e falta de cooperação prevista na normativa antiriciclaggio.
A solicitação de extensão das investigações pela Procuradoria de Milão antecipa a continuidade das diligências — entre elas quebras de sigilo, confrontos de documentos e depoimentos — com o objetivo de qualificar juridicamente os fatos e, se for o caso, formalizar futuras imputações. O juiz de primeiro grau avaliará o pedido de prorrogação e encaminhará decisão nos próximos dias.
Este é um caso que reúne dimensão penal, supervisão regulatória e potenciais repercussões no sistema bancário: a tramitação seguirá acompanhada com atenção, dado o impacto das constatações da Banca d’Italia sobre a governança e os controles bancários.






















