Por Chiara Lombardi — Espresso Italia
Em um momento em que as linhas de frente geopolíticas entram também nas narrativas de consumo global, Teheran surge como um espelho do nosso tempo: um spy thriller que transforma a guerra secreta entre Israel e o Irã em serialidade internacional. Criada por Moshe Zonder para a emissora pública israelense Kan 11 e distribuída mundialmente pela Apple TV+, a série estreou em Israel a 20 de junho de 2020 e chegou ao público global a 25 de setembro do mesmo ano, tornando-se um dos primeiros títulos não anglófonos a ganhar destaque na plataforma de Cupertino.
A trajetória editorial de Teheran confirma seu caráter de fenômeno: a segunda temporada foi exibida em maio de 2022; a terceira, anunciada em fevereiro de 2023, foi entregue em Israel a 9 de dezembro de 2024 e disponibilizada na Apple TV+ a 9 de janeiro de 2026. A entrada de nomes como Hugh Laurie na terceira temporada ampliou ainda mais o perfil internacional da produção, que já ostentava um marco histórico: em 2021, conquistou o prêmio de melhor série dramática na 49ª edição dos International Emmy Awards, a primeira produção israelense a alcançar essa distinção.
No coração da narrativa está Tamar Rabinyan, uma jovem hacker nascida no Irã e criada em Israel, recrutada pelo Mossad para uma operação de infiltração em Teerã. A missão — sabotar uma usina elétrica para viabilizar um ataque a um suposto complexo nuclear iraniano — fracassa, forçando Tamar a uma sobrevivência clandestina na cidade onde nasceu. Perseguida por Faraz Kamali, chefe das investigações das Guardas Revolucionárias, ela se envolve com um grupo de dissidentes e com Milad, um hacker rebelde cujo romance com Tamar tensiona o roteiro entre dever profissional e identidade pessoal.
A interpretação de Niv Sultan, que transita entre hebraico e persa, foi apontada pela crítica como um dos pilares do impacto da série. Ao seu lado, figuras como Shaun Toub — no papel do investigador Faraz — e, na segunda temporada, Glenn Close como a agente britânica do Mossad Marjan Montazeri, ampliam o jogo de perspectivas. A direção de Daniel Syrkin e a assinatura de Moshe Zonder — também criador de Fauda — consolidam o tom realista e tenso que caracteriza a produção.
Entretanto, a produção da quarta temporada foi abalada por uma notícia sombria: a morte suspeita de Dana Eden, produtora e coidealizadora israelense da série, encontrada sem vida aos 52 anos durante filmagens na Grécia. Veículos gregos como Ta Nea, Documento e Proto Thema noticiaram que o corpo foi localizado em um quarto de hotel em Atenas — onde ela estava hospedada desde 4 de fevereiro — e que o irmão teria constatado o achado. Relatos mencionam hematomas no pescoço e nos membros e a presença de comprimidos no quarto; autoridades locais investigam a possibilidade de suicídio.
Mais do que entretenimento, Teheran funciona como um reframe da realidade: uma semiótica do viral que expõe as tensões entre memória, identidade e política internacional, convidando o espectador a decifrar o roteiro oculto que governa acontecimentos que parecem distantes, mas reverberam aqui e agora.






















