Sob a aparência de uma estabilidade que resiste às tempestades externas, o Irã segue sob tensão interna crescente. Apesar das advertências e das ameaças públicas de Trump, assim como das pressões exercidas por boa parte da comunidade internacional, o governo em Teerã parece manter o controle. Ao mesmo tempo, multiplicam-se relatos e denúncias de massacres em massa e de uma repressão sangrenta que atinge diferentes províncias do país.
Na edição do ciclo de análises geopolíticas MappaMondi, os enviados da Rai, Veronica Fernandes e Giammarco Sicurone, dialogam com a analista ítalo-iraniana Tara Riva, especializada em relações internacionais e estratégia regional. O encontro propõe uma leitura que vai além do episódio noticioso: busca mapear o deslocamento de vetores de poder, avaliar a resiliência do regime e interpretar movimentos sociais como peças num tabuleiro maior.
Do ponto de vista estratégico, a situação no Irã apresenta-se como um movimento decisivo no tabuleiro da região — um mecanismo onde a coerência interna do regime e sua capacidade de reagir à contestação popular se chocam com o custo reputacional e político de medidas repressivas. A resposta das instituições do Estado e das forças de segurança, marcada por relatos de violência sistemática, revela alicerces frágeis da diplomacia: o uso da força interna reduz a margem de manobra externa e complica qualquer reconciliação com atores internacionais preocupados com direitos humanos.
As ameaças externas, personificadas pelas declarações de Trump, calibram um segundo eixo de pressão. Não se trata apenas de retórica: a combinação de sanções, ameaças e alinhamentos regionais redesenha uma espécie de fronteira invisível — uma tectônica de poder onde aliados e adversários reposicionam peças. Para analistas como Tara Riva, a narrativa oficial de estabilidade contrapõe-se à imagem de um Estado que compra tempo por meios coercitivos, numa tentativa de preservar sua hegemonia.
O panorama, porém, não é estanque. As mobilizações populares, a circulação de informações pela mídia e pelas redes, e a atenção das instituições internacionais criam um ambiente onde cada ação tem consequências estratégicas de médio e longo prazo. A repressão imediata pode sufocar dissidências no curto prazo, mas também plantar sementes para dissensos mais duradouros — um risco que todo estrategista deve considerar ao avaliar a sustentabilidade de um poder sustentado pela força.
Os episódios anteriores da rubrica estão disponíveis nas stories em destaque no perfil do Instagram do programa. Desde 2025, MappaMondi também está presente no YouTube e como podcast no RaiPlaySound, ampliando o alcance das análises e oferecendo um espaço para debates aprofundados sobre geopolítica, história e cenários futuros.
Como observador e analista, concluo que a situação no Irã deve ser acompanhada como um equilíbrio dinâmico: qualquer movimento — interno ou externo — pode alterar a configuração regional. Em termos de diplomacia, tratam-se de jogadas que procuram preservar posições imediatas, mas que inevitavelmente remodelam o mapa estratégico da região.






















