Por Marco Severini — Em um movimento que combina diplomacia prudente e demonstração de poder, os Estados Unidos buscam um acordo com o Irã, enquanto mantêm a opção militar como pano de fundo. Fontes citadas pela emissora CBS indicam que, caso as negociações fracassem, Washington estaria preparado para oferecer apoio logístico a ataques de Israel contra o programa de mísseis balísticos de Teerã.
Segundo duas fontes informadas sobre o assunto, numa reunião em Mar-a-Lago em dezembro, o presidente Donald Trump teria comunicado ao primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu que os EUA dariam suporte caso fosse necessário. Esse suporte, conforme as apurações, incluiria elementos concretos de logística — reabastecimento em voo e permissões de sobrevoo ao longo de rotas potenciais — mais do que a execução direta de operações ofensivas.
É incerto, porém, quais Estados permitiriam o uso do seu espaço aéreo para tais operações. A CBS recorda que Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos declararam publicamente que não autorizariam seus céus para ataques contra o Irã nem para ações iranianas contra terceiros. Ainda assim, conversas dentro do aparelho americano coincidiram com uma visível demonstração de força: o envio do porta‑aviões USS Gerald R. Ford e sua escolta ao Médio Oriente, reforçando uma presença militar já considerável na região.
Esse cenário estratégico se desenrola às vésperas do segundo round de negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano, que começam hoje em Genebra, com a participação do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Autoridades iranianas assinalaram disponibilidade para limitar o enriquecimento de urânio em troca de um alívio nas sanções econômicas, embora os contornos precisos de qualquer compromisso permaneçam por definir.
Na esfera política norte‑americana, o senador Marco Rubio afirmou ter preferido a via diplomática, ao mesmo tempo em que confirmou o deslocamento dos emissários americanos Steve Witkoff e Jared Kushner para encontros importantes com interlocutores iranianos. Rubio ressaltou a complexidade do interlocutor: “Estamos a lidar com religiosos xiitas radicais. Pessoas que tomam decisões políticas e geopolíticas com base em pura teologia”, disse, assinalando a dificuldade histórica de concluir um acordo duradouro com Teerã.
À maneira de um tabuleiro de xadrez, o que se observa é um redesenho cauteloso das peças: tentativas de negociação conjugadas com preparações logísticas e demonstrações de poder que preservam opções. A tectônica de influência no Oriente Médio permanece fluida; os alicerces da diplomacia podem ceder ou se recompor conforme avanços técnicos — como limites no enriquecimento — e concessões econômicas — como o levantamento de sanções. A leitura estratégica indica que, por ora, a diplomacia é a frente primária, mas a logística militar permanece como carta a ser jogada caso o acordo não se materialize.






















