O designador da arbitragem, Gianluca Rocchi, manifestou profundo incômodo da AIA diante do episódio que marcou Inter-Juventus: a expulsão do zagueiro Kalulu por dupla advertência, decorrente de uma simulação de Bastoni que induziu o árbitro La Penna ao erro. Em declaração oficial, Rocchi reconheceu que “a decisão de La Penna é claramente errada”, acrescentando a frustração por não ter sido possível corrigir o lance com o VAR.
O caso é sintomático de uma série de tensões que atravessam o futebol italiano contemporâneo. No primeiro amarelo a Kalulu, por uma ação sobre Barella, já havia margem para dúvida; o segundo, contudo, foi consequência direta de uma simulação evidente de Bastoni, que deveria ter merecido o cartão amarelo. Se o árbitro tivesse punido corretamente a atuação de Bastoni, a Internazionale teria terminado a partida com dez homens — e não a Juventus. “La Penna está mortificado e estamos próximos a ele”, disse Rocchi, antes de ironizar que não se trata de um erro isolado: “não é o único a ter errado… visto que ontem houve uma simulação clara. A última de uma longa série em um campeonato em que procuram de todas as formas nos enganar”.
Além do reconhecimento institucional do erro, o episódio gerou reação imediata dentro do vestiário bianconero e nas redes. Kalulu republicou em suas histórias do Instagram um vídeo de cerca de 40 segundos com as duas advertências aplicadas por La Penna. O capitão Manuel Locatelli escreveu nas redes: “Sou orgulhoso da equipe que somos. Hoje mais do que ontem, só a Juve, até o fim”. Dusan Vlahovic, ausente por lesão, limitou-se a declarar “Orgulhoso de vocês”.
Como analista, interessa-me observar que o episódio excede a narrativa de um lance infeliz: toca em dois nós estruturais do sistema futebolístico italiano — a fragilidade da tomada de decisão em campo diante de encenações e a dependência do VAR como mecanismo corretor que, por vezes, fica inacessível ou tardio. A crítica franca de Rocchi não apaga a necessidade de um debate técnico e institucional sobre como reduzir a margem para jogos simulados e para erros que alteram o equilíbrio competitivo.
Há ainda um custo simbólico. Árbitros como La Penna tornam-se figuras públicas em posição vulnerável; clubes e jogadores, atores que negociam reputação e resultado. Quando uma simulação muda o destino de uma partida, não é só um resultado que muda: é parte do contrato de confiança entre espectadores, instituições e agentes do jogo.
Resta acompanhar os desdobramentos: eventuais medidas disciplinares, a revisão de procedimentos de uso do VAR e a repercussão institucional dentro da AIA. Em campo, a Juventus prossegue com a sensação de injustiça imediata; fora dele, permanece o desafio de preservar a integridade do campeonato.






















