Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em mais um capítulo que mistura emoção e interpretação, o clássico entre Napoli e Roma, disputado no estádio Maradona no domingo, 15 de fevereiro, voltou a colocar o papel da arbitragem sob lente de aumento. Aos 68 minutos, uma intervenção de Rrahmani sobre Wesley dentro da área resultou em pênalti assinalado por Colombo, convertido por Malen, que anotou a sua segunda cobrança na partida e deu o novo avanço à equipe.
O lance começou com um controle no meio-campo por parte de Malen, que imediatamente acionou a corrida de Wesley pela esquerda. O atacante acelerou em direção à área e, no momento em que cruzou o percurso com o zagueiro Rrahmani, houve um contato claro na região da canela esquerda de Wesley. Colombo, que acompanhava a jogada de perto, entendeu ser infração e apontou para a marca do pênalti.
A reclamação do público e de parte do banco adversário foi instantânea: como em tantos episódios recentes, a controvérsia não está apenas no contato, mas na fronteira entre uma disputa física lícita e uma ação passível de punição. Após a checagem das posições iniciais no campo, o árbitro de vídeo — o VAR — confirmou a decisão do juiz de campo, mantendo a validade do pênalti.
Mais do que o resultado imediato do lance, interessa compreender o que este episódio revela sobre a interpretação coletiva do jogo neste momento do Campeonato. O estádio Maradona, palco de tantas narrativas que conectam futebol e identidade local, ofereceu novamente a cena do debate: até que ponto a velocidade de um atacante como Wesley e a impetuosidade de um zagueiro como Rrahmani configuram falta punível?
Do ponto de vista técnico, o árbitro posicionou-se bem e o recurso ao VAR seguiu a rotina de verificação de eventuais irregularidades nas posições de partida, um procedimento que visa reduzir erros claros e óbvios. Ainda assim, permanece a sensação de que muitas decisões dependem de nuances — ângulo do contato, impulso do jogador atacante e intensidade do choque — e, portanto, permanecem sujeitas a interpretações distintas.
Para o torcedor que busca além do placar, episódios como este são mais do que polêmica: são espelhos das transformações pelas quais o futebol passa, entre tecnologia, regulamentação e cultura de jogo. A confirmação do pênalti por parte do VAR encerrou a discussão formal, mas não elimina o debate sobre critérios e consistência em lances similares.
Em termos práticos, a cobrança convertida por Malen alterou a dinâmica do jogo e pesou no resultado final, mas o episódio permanecerá como matéria de análise: o que diz sobre a formação dos defensores, a proteção aos atacantes em velocidade e o papel do árbitro moderno? São perguntas que atravessam o presente do futebol italiano e exigem respostas que vão além da estatística imediata.
Em suma, aos 68 minutos do confronto no Maradona, a combinação de um passe preciso, a corrida de um atacante e a intervenção de um defensor cristalizaram um momento que a tecnologia confirmou — e que a memória dos clubes certamente continuará a discutir.





















