Faleceu o Pino Colizzi, uma das vozes mais reconhecíveis do cinema italiano e referência absoluta no universo do dublagem. Ao longo de décadas, Colizzi emprestou seu timbre a dezenas de atores internacionais e personagens memoráveis, deixando uma marca indelével na recepção do cinema estrangeiro pelo público italiano.
Entre os trabalhos que consolidaram sua carreira está a dublagem de Robert De Niro em Il padrino 2, papel que se soma a uma lista vasta e heterogênea de intérpretes: Michael Douglas, Jack Nicholson, James Caan, Richard Dreyfuss, Omar Sharif, Franco Nero, Clint Eastwood, Tom Selleck e Christopher Reeve (nas versões italianas de Superman, Superman II e Superman III, onde dublou tanto Clark Kent quanto Superman). Também foi a voz italiana de Gary Cooper em Per chi suona la campana e do protagonista em Robin Hood, clássico da Disney.
Colizzi teve ainda papel-chave na representação religiosa na tela: foi a voz de Robert Powell no papel de Jesus na minissérie Gesù di Nazareth, dirigida por Franco Zeffirelli, cuja recepção pelo público italiano passou em boa medida pelo trabalho de dublagem. Essa amplitude de registros — do herói animado ao drama histórico — explica por que sua voz se tornava imediatamente identificável ao público.
Nascido em Roma, em 1937, Pino Colizzi também construiu trajetória como ator, alternando estúdio de dublagem e sets de filmagem. Trabalhou para a televisão e o cinema, com participações em produções da RAI como Anna Karenina e Tom Jones, e colaborou com diretores de ponta, incluindo Luchino Visconti. Paralelamente à carreira de intérprete, assumiu funções de direção de dublagem, supervisionando as versões italianas de títulos de grande porte como Pulp Fiction, O Paciente Inglês, a trilogia Matrix e diversos capítulos da saga de James Bond protagonizados por Pierce Brosnan.
No âmbito pessoal, Colizzi foi casado com a também profissional de dublagem Manuela Andrei. Do casamento nasceram dois filhos, Carlo e Chiara; Chiara seguiu os passos do pai e também atua como dubladora. Segundo levantamento de fontes de arquivo e entrevistas retidas em registros públicos, a família manteve atuação discreta, preservando a rotina privada enquanto Colizzi consolidava sua carreira pública.
Retirou-se oficialmente das atividades de dublagem em 2010, embora tenha continuado a trabalhar como ator até 2015. Seu percurso profissional — marcado por um cruzamento de fontes entre estúdios, roteiros e registros de produção — oferece um raio-x do ofício de dublador na Itália: uma prática técnica que exige interpretação, direção e adaptação cultural.
Esta reportagem foi produzida com apuração em arquivos de dublagem, consulta a registros públicos e verificação cruzada de créditos cinematográficos. Mantemos contato com representantes da família e das associações de dubladores para atualização de informações oficiais. O legado de Pino Colizzi permanece ativo nas vozes que o público associa a personagens e atores centrais do cinema mundial, lembrando que, por trás de cada tradução vocal, existe um trabalho técnico e interpretativo que molda a experiência do espectador.






















