ROMA, 15 de fevereiro de 2026 – Em uma declaração ponderada e carregada de preocupação humana, o diretor da Unidade de Cirurgia Cardíaca Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do hospital infantil Regina Margherita de Turim, Carlo Pace Napoleone, comentou sobre o quadro do menino de cerca de 2 anos operado no dia 23 de dezembro no Monaldi, em Nápoles. Após o transplante de coração, algo no curso pós-operatório foi adverso: a criança permanece em coma farmacológico e conectada ao Ecmo, o dispositivo que substitui a função cardíaca.
“Cinquentaquattro giorni sono tantissimi” — traduzo a sensibilidade do médico sem perder a precisão técnica: “54 dias são muitos”, afirma Pace Napoleone à ANSA. Para ele, a experiência mostra que, em uma criança tão pequena, o uso prolongado do Ecmo começa a provocar efeitos colaterais graves após duas a três semanas. “Duas-três semanas significam 21 dias; 25-30, no máximo, se pode aguardar. 54 é quase o dobro.”
O médico ressalta que, depois de tanto tempo ligado ao suporte extracorpóreo, os órgãos principais — sobretudo rins, fígado e pulmões — tendem a ficar seriamente comprometidos. “Não sei qual é o grau exato de comprometimento destes órgãos neste caso, mas é difícil pensar que estejam intactos como antes do transplante.” A fala é direta, porém não encerra as esperanças: Carlo Pace Napoleone também lembra que as crianças têm uma notável capacidade de recuperação.
Dentro dessa tensão entre alerta e otimismo, surge outro ponto: a longa duração do suporte reafirma, segundo o especialista, a competência da equipe do Monaldi. “I colleghi del Monaldi foram capazes de manter o Ecmo funcionando por tanto tempo a mais — e isso merece reconhecimento.” Em outras palavras, há admiração profissional pela tenacidade do atendimento, mesmo diante de um cenário onde o tempo tem sido implacável.
Como observador que liga clima, corpo e cotidiano, eu penso na situação como se fosse uma estação que não termina: há um inverno prolongado para um órgão que tenta renascer. O corpo infantil, porém, é como uma paisagem que escondida sob a geada guarda raízes fortes — e por isso os prognósticos, embora cautelosos, não podem deixar de contemplar a possibilidade de um despertar.
O caso volta a colocar em foco dilemas que circulam pela medicina intensiva pediátrica: até quando manter suporte avançado? Quais os limites do corpo em formação e quanto tempo é seguro prolongar suportes como o Ecmo? As respostas reúnem experiência clínica, ética e um cuidado sensível à família que espera.
Para agora, acompanha-se de perto a evolução do menino e permanece o reconhecimento pela atuação dos profissionais do Monaldi. Entre o cansaço de órgãos vigorosamente exigidos e a surpreendente capacidade de recuperação infantil, segue a vigilância: a respiração da cidade se mistura à esperança de quem cuida.





















