VIAREGGIO (Lucca) — Sob um céu de luz dourada, o Carnevale di Viareggio voltou a encantar: segundo os organizadores, mais de 100.000 pessoas alinharam-se ao longo do lungomare para acompanhar a quarta sfilata da festa. Andiamo: a cidade vestiu-se de festa, multidões chegaram de fora da Itália e muitos turistas reservaram hotéis especialmente para vivenciar esse espetáculo à beira-mar.
O corso começou com o ritual marcado pelo triplo colpo di cannone, e as filas para as casse continuaram mesmo após o início da parata — um sinal da fome por festa e beleza. O Carnevale desfilou em formação completa: nove carros de primeira categoria, quatro de segunda, oito mascherate em gruppo e oito maschere isolate, além das pedane aggregative que compõem os elementi fuori concorso. Cada carro, com a sua teatralidade satírica, trouxe aquela sensação de navegar pelas tradições e saborear a história.
Hoje o corso foi também um caleidoscópio no céu: um espetáculo de aquiloni encantou o público na ampla arena de praça Mazzini. Um dos papéis principais coube a uma pipa monumental de 10 metros, construída com 180 metros de tecido e com 270 metros quadrados de superfície — uma presença que parecia quase um veleiro de cor sobre as ondas. Grupos de Gubbio, Livorno, Treviso e Firenze aportaram seus papéis coloridos e movimentos, transformando a praia num palco de texturas e sons.
Com o coração sensível à cidadania, o corso de hoje foi dedicado à Avis, para sensibilizar sobre a doação de sangue. Na tribuna estavam doadores de toda a Itália, um testemunho vivo da solidariedade que pulsa entre as máscaras: entre eles, Eugenio Calamati, que começou a doar aos 18 anos, hoje tem 62 e acaba de completar sua doação número 401 — um recorde de generosidade que emocionou a todos. Outro doador destacado, Riccardo Lubrano, também marcou presença, celebrando décadas de compromisso com a causa.
Como curadora de experiências e amante do Bel Paese, confesso que ver a mistura do teatro dos carros com gestos concretos de solidariedade é a quintessência do Carnaval de Viareggio: não apenas espetáculo, mas também memória social e comunidade. Ao percorrer o lungomare, senti o perfume do mar misturado ao aroma dos confetes, vi risos atravessarem espanhol, francês e português, e ouvi o apito das pipas contando histórias ao vento.
Se você sonha com a Itália autêntica — com aquele Dolce Far Niente que só se encontra à beira-mar, entre uma máscara e outra — o Carnevale di Viareggio permanece uma promessa: festa, arte e um convite sensorial a descobrir os segredos locais. Ciao, e venha saborear essa tradição comigo.






















