Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Durante a próxima Quaresma, que começa com o rito das Cinzas na quarta-feira, 18 de fevereiro, o Papa Leone XIV iniciará uma série de visitas a cinco paróquias da cidade de Roma. A capital conta com mais de 350 paróquias, cada qual com realidades sociais e pastorais complexas; nem mesmo pontificados longos, como o de João Paulo II, conseguiram alcançá-las na sua totalidade.
A primeira comunidade a receber o pontífice foi a paróquia Santa Maria Regina Pacis, localizada em Ostia Lido — o “mar de Roma”, fora do Grande Raccordo Anulare. A paróquia costeira mantém laços históricos com São Agostinho, padroeiro do bairro, e com sua mãe, Santa Mônica, cuja presença é lembrada em igrejas e estruturas de saúde locais. Uma estátua do santo de Hipona está instalada nos jardins em frente ao município.
No sexto domingo do Tempo Comum, Papa Leone presidiu a Missa dominical, concelebrada pelo Cardeal Vigário Baldo Reina, pelo bispo Renato Tarantelli Baccari, vigário para o Setor Sul da diocese, e pelo pároco don Giovanni Vincenzo Patanè. Antes de regressar ao Vaticano, o Pontífice cumprimentou os fiéis que acompanharam a celebração pelo telão colocado para a ocasião.
Em apuração com a paróquia e voluntários locais, constatou-se a presença de grupos diversos: catequizandos, aproximadamente 400 jovens, idosos, doentes, pessoas em situação de vulnerabilidade e voluntários da Caritas. Dirigindo-se aos presentes, o Papa afirmou: “É para mim motivo de grande alegria estar aqui e viver com a vossa comunidade o gesto de que a ‘domingo’ toma o nome. É o dia do Senhor porque Jesus Ressuscitado vem ao nosso encontro, escuta-nos, fala-nos, nos alimenta e chama-nos”.
Na homilia, o Pontífice ofereceu uma leitura direta e técnica das Bem-aventuranças e do anúncio da lei nova de Jesus no lago da Galileia, explicando o alcance prático e ético do Evangelho. Citou explicitamente o trecho que desloca o foco do homicídio externo para a violência interior: “Foi dito aos antigos: Não matarás; eu, porém, vos digo: quem se irar contra seu irmão estará sujeito ao julgamento… quem chama ‘tolo’ será réu perante o sinédrio; quem diz ‘louco’ corre risco do fogo da Geena” — e advertiu para a atualidade dessas palavras.
O Papa Leone XIV sublinhou que o mal público tem raízes onde o coração se torna frio, duro e empobrecido de misericórdia: uma análise clara, sem retórica, do entrelaçamento entre atitudes interiores e consequências sociais. Em um momento em que as crônicas urbanas registram episódios de violência, o Pontífice dirigiu-se diretamente a Ostia: constatou que a violência existe, fere e às vezes cria raízes entre jovens e adolescentes, resultante de dinâmicas locais e de ausência de oportunidades.
O recado central foi de ação cívica não violenta: opor-se “à deriva da injustiça” com a força desarmante da mitezza. A expressão, repetida pelo Papa, foi apresentada como critério prático — uma disposição moral que não cede ao ódio, mas que enfrenta a injustiça com firmeza ética e simplicidade. A mensagem combinou diagnóstico social e orientação pastoral: reconhecer as feridas, preservar a dignidade das vítimas e promover respostas comunitárias.
Do ponto de vista de cobertura, as fontes consultadas — equipe paroquial, voluntários da Caritas e responsável litúrgico — confirmaram a sequência de encontros: visita às catequeses, diálogo com os jovens, saudação aos enfermos e presença entre os pobres. A cena, observada e registrada no local, reforça o perfil de um pontífice que prioriza o contato direto com comunidades periféricas e a atenção aos sinais sociais.
Fatos brutos, sem especulação: o itinerário de Papa Leone XIV em Roma seguirá por mais quatro paróquias entre fevereiro e março, mantendo o eixo de proximidade com realidades urbanas marcadas por precariedade e potencial de resiliência social. A leitura pública que deixou, em Ostia, traduz-se em convite à responsabilidade coletiva e à prática diária de uma mitezza ativa contra a injustiça.





















