Por Giuseppe Borgo — Um levantamento do instituto YouTrend revela que o resultado do referendo sobre a reforma da justiça em 2026 pode depender mais da participação nas urnas do que das preferências dos eleitores. Em dois cenários distintos de afluência, os números apontam para vencedores diferentes, deixando claro que a batalha final será decidida no campo da mobilização e não apenas nas intenções de voto.
No cenário de baixa participação — estimada em 46,5% — o campo do No aparece na frente com 51,1% das intenções de voto, contra 48,9% do Sim. A vantagem é estreita, de cerca de 2,2 pontos percentuais, mas suficiente para mudar o destino da reforma caso a tendência de abstenção se confirme. É o tipo de diferença que revela o peso da caneta na urna quando os eleitores não constroem a ponte até o local de voto.
Por outro lado, com uma alta participação estimada em 58,5%, o panorama se inverte: o Sim lidera com 52,6% frente 47,4% do No. Nesse cenário, o alicerce social por trás da reforma seria mais sólido e favorável ao governo, mostrando como a mobilização do eleitorado pode reforçar ou derrubar propostas legislativas importantes.
O levantamento do YouTrend também destaca a clara divisão por blocos eleitorais. Entre eleitores de centro-direita, o apoio ao Sim é massivo — na casa dos 92-93% — tanto em cenários de alta quanto de baixa afluência. Pelo outro lado, o amplo campo do centro-esquerda tende a votar majoritariamente pelo No, com taxas próximas a 85-86% nos dois cenários. Esses números mostram que, mais do que persuadir eleitores contrários, a disputa será na capacidade de cada campo de reduzir a abstinção entre seus próprios apoiadores.
Outros institutos de pesquisa, citados no debate público, trazem leituras convergentes: sondagens como as da Only Numbers e comentários de especialistas como Alessandra Ghisleri colocam em evidência a imprevisibilidade gerada pelo contingente de indecisos e pela taxa de abstenção. Em linhas gerais, a correlação entre participação e resultado é consistente — quanto maior a ida às urnas, maior a probabilidade de vitória do Sim nas estimativas; quanto menor a afluência, mais favorável ao No.
Com os dias oficiais de votação marcados para 22 e 23 de março, o perigo para as propostas em exame não está apenas na aritmética dos votos, mas na logística cívica: mobilizar eleitores, derrubar barreiras burocráticas e transformar intenção em presença. O referendo se posiciona, portanto, como um teste de construção de direitos e de eficácia das campanhas de ambos os lados.
Como repórter que observa a intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, registro que a mensagem mais prática para eleitores e movimentos civis é clara: a afluência será o alicerce que definirá se as mudanças na justiça avançam ou são rejeitadas. Em uma democracia marcada por altos índices de abstenção em pleitos recentes, a arquitetura do resultado será erguida por quem comparecer às urnas.
Até lá, os institutos continuarão a afinar estimativas, mas o diagnóstico final permanecerá o mesmo: neste pleito, votar ou não votar pode pesar mais do que a escolha entre Sim e No. E isso transforma o ato de ir às urnas numa ferramenta tão decisiva quanto o conteúdo da reforma em disputa.






















