Por Giuseppe Borgo – Espresso Italia
O recente vazamento parcial dos chamados Epstein files pelo Departamento de Justiça dos EUA reacendeu a atenção sobre nomes que até então estavam censurados nos documentos. Entre as seis personalidades identificadas, chamou atenção a presença do nome Nicola Caputo, figura conhecida da política italiana que hoje integra Forza Italia e que já foi eurodeputado pelo Partido Democrático entre 2014 e 2019.
A divulgação, impulsionada pela pressão dos deputados americanos Thomas Massie e Ro Khanna, trouxe à tona nomes de relevo como Les Wexner e Sultan Ahmed Bin Sulayem. A inclusão do nome “Nicola Caputo“, porém, abriu debate sobre a possibilidade de homonímia — se o documento se refere de fato ao político nascido em Teverola, ou a outra pessoa com o mesmo nome.
Nicola Caputo nasceu em Teverola (Caserta) em março de 1966. Iniciou a carreira política nos anos 1990 como conselheiro municipal e depois como assessor municipal, responsável por áreas como orçamento, educação e atividades produtivas. Filiado originalmente ao Partito Democratico, foi eleito conselheiro regional da Campania por duas legislaturas antes de conquistar um assento no Parlamento Europeu, em 2014, com 85.897 votos.
Ao longo da trajetória pública, Caputo também exerceu funções executivas na região: foi assessor à Agricultura durante a presidência de Vincenzo De Luca, segundo o histórico político divulgado em meios locais. Dez anos atrás, o nome de Caputo apareceu em uma investigação da DDA de Nápoles relacionada a suposto voto de troca com membros do clã Casalesi; posteriormente ele foi absolvido, sem consequências penais duradouras.
Em reação imediata à divulgação dos arquivos, Caputo negou qualquer ligação com Jeffrey Epstein ou com o chamado “mundo Epstein”: “Nunca tive qualquer contato com Epstein ou com pessoas do seu entorno”, afirmou seu círculo. O coordenador regional de Forza Italia, Fulvio Martusciello, também levantou a hipótese de homonímia, lembrando que a simples menção do nome em documentos estrangeiros não equivale a presunção de culpa.
Não é novidade que vazamentos internacionais desempenham papel de tectônica informativa: derrubam camadas de opacidade e expõem alicerces que precisam ser examinados. Ainda assim, é preciso separar o valor probatório de uma menção em arquivos liberados do julgamento público imediato. A imprensa e as redes sociais já colocaram o nome de Caputo sob fortes holofotes, e isso pode gerar consequências para sua imagem pública independentemente de comprovação.
Do lado institucional, o que se espera é que autoridades competentes — nacionais e internacionais — investiguem com rigor e transparência quando houver indícios sólidos de conduta ilícita. Até lá, a lógica da cidade democrática exige cautela: o peso da caneta que nomeia também pode construir injustiças se usado sem critério.
Na prática, a situação coloca em evidência a fragilidade da reputação pública em tempos de circulação massiva de documentos e sugere a necessidade de mecanismos mais claros para verificar identidades em listas e arquivos internacionais. Para cidadãos e eleitores, resta observar se as instâncias judiciais irão transformar suspeita em provas ou se a menção ficará como ruído sobre uma carreira política já marcada por altos e baixos.
Enquanto isso, Caputo segue no centro da discussão pública: há quem peça explicações e há quem defenda o princípio básico de presunção de inocência. A ponte entre fatos divulgados no exterior e suas repercussões locais precisa de profissionalismo jornalístico e serenidade institucional para não derrubar, sem necessidade, a construção de direitos e garantias fundamentais.
Resumo do caso:
- Nome citado: Nicola Caputo
- Documento: Epstein files liberados parcialmente pelo DOJ
- Outros nomes: Les Wexner, Sultan Ahmed Bin Sulayem
- Posição atual: Integrante de Forza Italia; ex-eurodeputado (2014-2019)
- Declaração: Caputo nega qualquer contato com Epstein
Como repórter investigativo, continuarei acompanhando desdobramentos e procurando clarificações oficiais: é papel do jornalismo fazer a ponte entre documentos e cidadania, desmontando ambiguidades e reconstruindo a narrativa com base em provas e fontes verificáveis.






















